domingo, 29 de março de 2009

Esquadrão X # 3 de 9


Anteriormente em Esquadrão X...

A invasão alienígena três meses atrás deixou sérias cicatrizes na população mundial. O mundo mudou! Está mais perigoso! As ameaças surgem de todos os lugares! Todos vivem em pânico. Com o objetivo de estar cada vez mais preparado para enfrentar esses novos desafios, Israel toma uma série de novas decisões, a começar pela criação do Esquadrão X, uma nova equipe de heróis e agentes especiais, que estarão sempre se movimentando e atuando nos diversos lugares do planeta. Liderados por Cain Marko, esses heróis tiveram como primeira missão capturar um grupo de mutantes árabes que invadiram um Complexo Industrial na Espanha com o objetivo de roubar vários projetos sigilosos. Os heróis ficam cara a cara com os terroristas e acabam vencendo-os. Após a vitória, Cain Marko e mais três heróis permanecem no local verificando se há algum projeto avariado, quando um dos mutantes terroristas inicia um processo de auto-destruição. Os heróis tentam fugir, mas é em vão. O mutante explode, causando a morte de Dínamo e Siryn, e deixando Wolfie em coma. Abalado pela perda, Cain renuncia o cargo de líder, enquanto os outros membros cogitam a possibilidade de abandonar a equipe. Totalmente desestruturada, o Esquadrão X está a um passo de ser mais um projeto engavetado. Entretanto, Gus Frost acredita que o que a equipe precisa é de um grande herói que os inspire e os motive a seguir em frente. Para isso, ele vai até o Instituto de Reabilitação Mutante e convence Destrutor a liderar a equipe lado a lado com Cain...






O Dom e a Maldição

Capítulo 1:

A Máscara






# Frankfurt. Alemanha. 17 de outubro de 1980. 01h59min.

Na grandiosa mansão do Conde Klaus, um nascimento ocorre. Sua esposa, a Condessa Mary Angela Klaus, italiana por nascença, mas naturalizada alemã, dá a luz um casal de gêmeos. Seu período de gestação foi bastante conturbado. A Condessa Klaus já foi levada várias vezes às pressas ao hospital com fortes dores na barriga, além do que, ela tinha constantes pesadelos e mudanças de humor freqüentemente. Lógico que toda mulher grávida tem mudanças de humor devido aos hormônios, mas com a Condessa Klaus era diferente. Tinha momentos em que ela esbanjava alegria e felicidade, mas, em questão de segundos, começava a gritar e berrar com qualquer um que aparecia na sua frente. As pessoas a chamavam de “Condessa Louca”. E os pesadelos pioravam ainda mais o estado mental da Condessa. Em seus sonhos, todos seus medos se concretizavam. Morte. Dor. Agonia. A Condessa tinha medo de dormir por causa de seus pesadelos. Hoje, no sétimo mês de gestação, seus bebês estão nascendo. O médico foi levado até a Mansão Klaus para fazer o parto prematuro. Duas crianças nascem. Um garoto, que recebe o nome de Viktor Klaus, e uma garota de nome Mary Theresa Klaus. Após o parto, a Condessa Klaus descansa exausta, enquanto o Conde Klaus pega seus dois filhos no braço.

# Mansão Klaus. Quarto de Viktor Klaus. 02 de novembro de 1980. 10h24min.

A Condessa Klaus está amamentando seu filho. Ela olha para ele e sorri. A Condessa abre a janela do quarto e vê seu marido no jardim. Ela acena para ele. Logo depois volta a olhar para o filho e assusta-se ao ver em seus braços uma criatura da pele negra como carvão, com os olhos avermelhados e presas afiadas. Desesperada, a Condessa joga a criatura no berço e começa a gritar com o seio ensangüentado. Ouvindo os gritos, os criados entram no quarto e encontram a Condessa aos prantos sentada no chão, enquanto o bebê chora em seu berço. O Conde Klaus vem logo em seguida.

Conde Klaus – (chegando) Mary Angela, o que houve?

Condessa Klaus – (gritando) Tirem esse demônio de perto de mim! Joguem-no numa fogueira!

Conde Klaus – Do que você está falando? O que está acontecendo, Mary Angela?

Condessa Klaus – (aos prantos) Oh, Adolf! Ajude-me! Estou sangrando!

Conde Klaus – (abraçando a esposa) Calma, meu amor! Você está bem! Não está sangrando! Deve ter delirado.

Condessa Klaus – Ma-mas... Eu estava sangrando agora! Aquela criatura me mordeu! Eu senti a dor! Eu me vi sangrar! (gritando) Não estou ficando louca, Adolf!

Os criados e o Conde Klaus ficam olhando a Condessa, enquanto o jovem Viktor continua a chorar.

# Dois dias depois...

O Conde Klaus está em seu escritório juntamente com o Dr Wagner e o Sr Joseph Danza, pai da Condessa.

Conde Klaus – (...) E eu já não sei o que fazer! Mary Angela se recusa a ver o filho. Ela diz que ele é um demônio.

Joseph Danza – E quanto a minha neta? Mary Theresa?

Conde Klaus – É totalmente o oposto. Para minha esposa, Mary Theresa é sua única filha. Toda sua atenção e seu amor são dedicados à ela. Será que isso é algum trauma pós-parto?

Dr Wagner – É possível. Eu acompanhei todo seu período de gestação de perto e posso dizer que foi uma gravidez bastante conturbada. Talvez tenha deixado algumas seqüelas.

Joseph Danza – E quem está amamentando meu neto?

Conde Klaus – Contratei uma ama-de-leite. Ela cuida do pequeno Viktor durante todo o dia. (baixando a cabeça) O que faremos com Mary Angela? O que podemos fazer para ajudá-la, doutor?

Dr Wagner – Bem, ela pode ter algumas consultas com o Dr Nathaniel, um famoso psiquiatra. Ele pode ajudá-la mais do que eu.

# Os dias passam. A Condessa começa a se consultar freqüentemente com o Dr Nathaniel, mesmo contra sua vontade. Entretanto, ainda mantêm-se afastada do filho. Mary Theresa recebe todo o amor da mãe, enquanto que Viktor só vê ao pai. Os meses vão passando, e a Condessa tenta superar seu pavor com o filho. Em uma dessas tentativas, a Condessa e seu marido levam o jovem Viktor, já com pouco mais de um ano de idade, para um passeio pelo jardim de sua mansão. Eles fazem um piquenique, riem e si divertem. A Condessa supera seu medo e pega Viktor nos braços. O garoto sorri ao ver a mãe. Ela retribui o gesto com outro sorriso. Percebendo que sua esposa está superando o medo, o Conde diz que vai até a mansão trazer Mary Theresa. A Condessa fica um pouco receosa, mas depois concorda em ficar sozinha com Viktor. Ela coloca o garoto no chão e come alguma coisa enquanto espera o marido e a filha. Viktor ri tentando pegar as borboletas, dando as costas para a mãe. Ele sai engatinhando pelo jardim e indo atrás das borboletas. A Condessa levanta-se e vai atrás do garoto, pegando-o no colo.

Condessa Klaus – (sorrindo) Cuidado para não se perder, garoto!

Viktor sorri e logo depois, crava suas afiadas garras na barriga da mãe. Ela grita. A criança começa a perfurar a barriga da mãe com suas garras, tentando abrir um rombo, como se estivesse querendo voltar para o útero. Ouvindo os gritos, o Conde Klaus chega correndo com Mary Theresa nos braços e vê sua esposa deitada no chão aos berros, enquanto Viktor está sentado na grama.

Conde Klaus – Mary Angela! O que houve?

Condessa Klaus – Afaste essa criatura de mim! Não quero vê-la nunca mais! Quero que o mate! Está me ouvindo, Adolf? (gritando) Mate essa criatura antes que ela me mate!!

Depois desse dia, a Condessa nunca mais quis chegar perto do filho e nem nunca mais se consultou com o Dr Nathaniel. Os anos se passaram e Viktor nunca mais teve contato com a mãe. Temerosa por viver na mesma mansão que o filho, a Condessa resolveu morar com seus pais na Itália. Sua filha ia sempre visitá-la, passando alguns meses com a mãe, e depois voltando para a Alemanha, enquanto o jovem Viktor nunca chegou a nem falar com a mãe.

# Mansão Klaus. 02 de Abril de 1986.

Viktor está sentado no jardim enquanto atira pedras no lago. Seu pai aproxima-se dele e senta-se ao seu lado.

Conde Klaus – E aí, garotão? Tá fazendo o quê?

Viktor – Nada, pai. Só pensando na vida.

Conde Klaus – O Sr Donald vai para Berlim amanhã e disse que queria sua companhia. O velho disse que se diverte muito ao seu lado.

Viktor – O Sr Donald é legal. Ele vive me contando suas aventuras de quando era mais jovem. O senhor sabia que ele já escapou de ser devorado por um leão na África?

Conde Klaus – (gargalha) Já. O Donald sempre me conta essa história.

Viktor – Pai?

Conde Klaus – Sim, filho?

Viktor – (baixando a cabeça) Por que a mamãe não gosta de mim?

O Conde emudece. Era como se houvesse um nó em sua garganta.

Viktor – O filho do Sr Von Joule disse que minha mãe enlouqueceu quando eu nasci. É verdade, pai?

Conde Klaus – Filho, a sua mãe é um pouco doente. Por isso ela mora tão longe da gente.

Viktor – Mas a Mary Theresa sempre vai visitá-la. Por que eu não posso ver minha mãe?

Conde Klaus – (suspira) Um dia, meu filho. Um dia.

# Os anos passam, e os dois filhos do Conde Klaus crescem. Viktor torna-se um bom rapaz. O jovem Klaus (como é chamado) está sempre sorridente e é sempre cordial com todas as pessoas. Todos se animam quando o “jovem Klaus” está por perto. Mary Theresa também desperta esse sentimento nas pessoas. A jovem garota de apenas onze anos possui uma beleza indescritível. Todas as pessoas com quem ela entra em contato sempre ficam mais alegres e felizes ao vê-la, mas ao contrário do irmão, Mary Theresa está sempre séria, calada e com um olhar distante e triste. Dizem que ninguém nunca a viu sorrir. É até irônico que todos os que estão ao seu redor estão sempre rindo e se divertindo, com exceção de Mary Theresa.

# Mansão Klaus. 18 de Janeiro de 1992.

Mary Theresa foi passar todo o mês de janeiro com a mãe, enquanto o jovem Viktor arruma suas malas para uma viagem de barco com seu padrinho, o Sr Donald Ferrer, pela costa européia.

Conde Klaus – E aí, garotão? Está animado?

Viktor – Muito, papai! O Sr Donald disse que iria me levar até Portugal desta vez!

Conde Klaus – (abraçando o filho) Fico feliz que esteja se divertindo, Viktor.

Um criado aparece no quarto e avisa que o Sr Donald Ferrer já está esperando.

Viktor – Tchau, pai! A gente se vê de novo dentro de um mês.

Conde Klaus – Divirta-se, meu filho.

Viktor entra no carro do Sr Donald, e o motorista os leva até a costa alemã. Lá eles preparam tudo para a viagem.

Viktor – Sr Donald, o senhor já fez muitas viagens?

Donald – Várias, Jovem Klaus. Eu já lhe contei daquela vez em que fui para a África e um leão quase me devorou?

Viktor – (gargalha) Só umas duas mil vezes, senhor. Mas gostaria de ouvir novamente. É uma história fascinante!

Donald – (gargalhando) Bem, tudo começou quando fui passar uma temporada na África com mais dois amigos...

As horas passam, e os dois marujos adormecem. Viktor acorda, levanta-se e fica olhando o oceano. Ele lembra-se de sua mãe. Seu maior desejo é encontrá-la. Mas ele sabe que é algo impossível. Ele debruça-se e fica olhando seu próprio reflexo na água. “Por que minha mãe me abandonou?”, pensa Viktor. O Sr Donald acorda e vai em direção à Viktor.

Donald – Hey, garoto. Vai dormir! Temos um longo dia pela frente amanhã.

Viktor – (virando-se) Tem razão, Sr Donald. Tenho que descansar.

Subitamente, ao ver o rosto de Viktor, Donald começa a gritar desesperadamente. Ele vê um enorme leão pronto para saltar em cima dele e abocanhar sua cabeça.

Donald – (gritando) Não! Saia daqui! Não me coma! Por favor!

Viktor – (aproximando-se) Sr Donald, o que houve?

Donald – Não! Você não vai me matar! Recuso-se a morrer dilacerado por um leão. (pegando sua arma e mirando para a própria cabeça)

O Sr Donald dispara um tiro, suicidando-se. Viktor grita assustado. Ele não sabe o que houve. Não sabe o que fazer agora. Ele simplesmente ajoelha-se no chão em estado de choque.

# Duas horas depois...

Depois de se recobrar do choque, Viktor resolve voltar para a Alemanha. O “Jovem Klaus” sabe velejar desde os nove, e começa a conduzir o barco de volta à costa alemã.

Viktor – (lágrimas descem pelo seu rosto) Meu Deus! O Sr Donald morreu! Se matou na minha frente! O que foi que ele disse mesmo? Algo sobre leões?

# Algumas horas depois, já de dia, Viktor chega à costa alemã e informa à Francis Heller, um amigo de seu pai que mora na costa alemã, o que ocorrera no barco. Rapidamente, o Conde Klaus vai até o cais.

# Mansão Klaus. 19 de janeiro de 1992. 12h25min.

O Conde Klaus está em seu escritório juntamente com seu sogro, Joseph Danza, seu pai, Hans Klaus, e o Dr Nathaniel.

Conde Klaus – Será coincidência? Tudo o que Viktor narrou sobre o suicídio de Donald é semelhante ao que acontecia quando ele ainda era um bebê. Viktor disse que Donald estava tendo alucinações com um leão.

Hans Klaus – Donald sempre foi um velho alcoólatra. Ele devia estar bêbado!

Joseph Danza – Mas não foi um caso isolado, Hans! Minha filha vivia tendo alucinações quando olhava para a criança. Isso sem falar dos pesadelos. E ainda tem a babá...

Conde Klaus – Exatamente, Sr Danza. Lembro-me perfeitamente de quando a babá pulou da varanda. Os criados falaram que ela estava dizendo que todo seu corpo estava sendo atacados por um enxame de abelhas.

Joseph Danza – E depois descobrimos que ela tinha um trauma de infância onde quase foi morta ao ser atacada por abelhas. Dr Nathaniel, o que o senhor acha disso tudo?

Dr Nathaniel – Sem dúvida é um assunto deveras intrigante. Temos aqui três casos de pessoas que enlouqueceram ao entrar em contato com o menino. E essas três pessoas parecem terem sido atormentadas por traumas. A Sra Klaus e o trauma do parto prematuro e a gravidez de risco, o Sr Donald e o trauma de quase ter sido devorado por um leão, e a babá que quando era criança quase morreu devido a um ataque de um enxame de abelhas. Receio que o “Jovem Klaus” exerce alguma influência nisso tudo.

Conde Klaus – O que você quer dizer com isso?

Dr Nathaniel – (limpando os óculos) Sabe, Conde Klaus. Eu sou psiquiatra e estudo a mente das pessoas. Só que mais interessante do que a mente humana, é a mente mutante.

Conde Klaus – Você está querendo dizer que...

Hans Klaus – (interrompendo o filho e gritando) Isso é loucura! Meu neto não é um mutante!

Dr Nathaniel – Todas as evidências apontam que sim, Sr Klaus. Conde, eu gostaria muito de fazer alguns testes com Viktor para ver se...

Hans Klaus – (interrompendo o doutor e gritando) Ninguém vai fazer testes no meu neto, está me ouvindo? E acho que a reunião já está encerrada. (levantando-se) Tenha uma boa tarde, Dr Nathaniel. A criada irá lhe acompanhar até a porta.

O Dr Nathaniel sai da mansão e fica no jardim limpando os óculos enquanto olha para a janela do quarto de Viktor Klaus. No escritório, os três homens continuam discutindo.

Joseph Danza – Vocês acham mesmo que ele é um...

Hans Klaus – (gritando) Lógico que não! Isso tudo é loucura! Viktor não é um mutante!

Conde Klaus – Pai, fale mais baixo. Eu... Eu ainda tenho minhas dúvidas quanto a isso. É coincidência demais!

Hans Klaus – Não acredito que você está cogitando essa idéia! Quer saber? Eu vou dar uma volta pela cidade para espairecer a cabeça.

# Mansão Klaus. 19 de Janeiro de 1992. 21h35min.

Viktor está dormindo. Ele tem estranhos pesadelos. Morte. Dor. Agonia. Ele acorda suando e assustado. O jovem resolve ir até a cozinha beber um copo d’água. Chegando lá, ele encontra uma de suas criadas.

Viktor – Olá, Genoveva. Ainda arrumando a bagunça do vovô, não é?

Subitamente, ao olhar para Viktor, a criada começa a gritar desesperada.

Genoveva – Não, papai! Não me bata! Por favor! Eu vou ser boazinha! Prometo! (grita) Nããããããooo!!!

Ouvindo os gritos, todos saem correndo em direção à cozinha. Criados, o Conde Klaus, seu sogro e seu pai. À medida que cada um olha para Viktor, suas mentes são inundadas por medos e traumas. Era como se estivessem revivendo-os novamente.

Viktor – (aos prantos) O que está acontecendo? O que houve? (correndo em direção ao pai) Papai! Me ajuda, papai!

O Conde Klaus olha aterrorizado para o filho e começa a dar passos para trás.

Viktor – Papai? Por que está se afastando? Me ajuda!

Conde Klaus – (gritando e estapeando o rosto de Viktor) Sai de perto de mim! Você não vai destruir minha família!

Assustado, o garoto corre desesperado pra fora de casa. Ele anda sem rumo pelas ruas de Frankfurt. Exausto e desorientado, Viktor cai no chão e começa a chorar. Um casal aproxima-se dele e pergunta o que houve, mas quando os dois vêem o rosto de Viktor, começam a ter alucinações com seus piores pesadelos. Ouvindo os gritos do casal, várias pessoas aproximam-se e acabam sofrendo do mesmo mal ao olhar fixamente para o Jovem Klaus. E mais uma vez, Viktor corre desesperado.

# Mansão Klaus. 21h57min.

O Conde Klaus está em seu escritório juntamente com seu pai e sogro, até que o Dr Nathaniel bate à porta e adentra o recinto.

Joseph Danza – Minha filha estava certa! Essa criança é um mal e deve ser erradicado!

Conde Klaus – Ele ainda é meu filho, Sr Danza.

Joseph Danza – (gritando) Ele é um demônio! Ele entra em nossas mentes e nos amaldiçoa!

Todos se calam.

Hans Klaus – Dr Nathaniel, o que o senhor acha?

Dr Nathaniel – Bem, ao que parece, o garoto exerce algum tipo de telepatia. De alguma forma, ele expõe todos os medos e traumas das pessoas. Vocês disseram que isso aconteceu quando vocês vêem o rosto dele, não foi isso?

Conde Klaus – Creio que sim. (baixando a cabeça) Foi... Foi horrível. As coisas que vi... Oh, Deus! Eu amo meu filho, mas não sei se vou conseguir viver em paz depois do que aconteceu...

Dr Nathaniel – Onde está o garoto?

Conde Klaus – Não sei. Saiu correndo porta afora.

De repente, um dos criados do Conde Klaus bate à porta e entra no escritório.

Madame Trapp – Conde Klaus, viram o garoto ao norte de Frankfurt.

Conde Klaus – Como sabe?

Madame Trapp – A cidade está em polvorosa! Todos que entram em contato com Viktor estão tendo alucinações! (com os olhos lacrimejando) Querem matar o menino, senhor!

Joseph Danza – Então vamos ajudá-los. Onde está minha arma?

Conde Klaus – (gritando) Ele ainda é meu filho, Sr Danza!

Joseph Danza – (gritando) Ele é um enviado das trevas! O anti-cristo!

Conde Klaus – Não acredito que estou ouvindo isso! Pai, vamos no meu carro. Temo que encontrar Viktor antes que algo de pior aconteça.

# Centro da cidade. 22h41min.

Viktor está escondido em um beco escuro, enquanto as pessoas andam pelas ruas à sua procura. Ele não sabe o que está acontecendo. Não tem idéia. Então, eis que dois homens o vêem e correm em sua direção. Viktor corre em direção contrária, tentando escapar.

Von Niles – Espere, Claudes! Não podemos chegar perto dele, senão ele vai nos amaldiçoar!

Claudes – Não precisamos nos aproximar tanto, Niles. (mirando sua espingarda) Ela já está na mira.

Então, de repente, Claudes dispara um tiro certeiro, atingindo Viktor. O garoto tomba no chão.

Von Niles – Ele morreu?

Claudes – Vou chegar mais perto e disparar mais alguns tiros para garantir que fique mesmo morto.

De repente, o Conde Klaus e seu pai surgem detrás dos dois homens e os atingem suas cabeças com um taco de madeira, deixando-os inconscientes. O Conde aproxima-se de Viktor, mas seu pai o impede.

Hans Klaus – É perigoso.

Conde Klaus – Ele está caído com o rosto no chão. Não há perigo.

O Conde abaixa-se e vê se o filho ainda está vivo. Seu pulso está fraco, mas ele ainda vive.

Hans Klaus –As pessoas o viram, Adolf. De que adianta levá-lo de volta para a mansão? Os outros vão querer matá-lo! Inclusive Danza! E... E não podemos olhar para ele.

Conde Klaus – Não vou deixar meu filho ser morto por essas pessoas, pai.

Hans Klaus – Eu também não, filho, mas não há alternativa!

Conde Klaus – Sabe o que eu vi quando Viktor usou seu poder mutante em mim? Eu vi a morte! Mas não a minha morte! Eu vi a morte de Mary Theresa, Mary Angela... e a dele! Meu maior medo é que minha família morra! Eu vi minha esposa e filha suicidando-se por causa de Viktor, e depois o vi suicidando-se. Morrendo! Não posso deixar que meu pesadelo concretize-se.

Hans Klaus – E o que você vai fazer, Adolf?

Conde Klaus – (enrolando uma toalha no rosto do filho) Primeiro temos que cuidar deste ferimento em Viktor. Depois terei que tomar uma difícil decisão.

# Em uma casa ao norte de Frankfurt. 23h16min.

Viktor recebe o auxílio médico do Dr Wagner. O garoto continua inconsciente, mas fora de perigo.

Hans Klaus – E então, Adolf. Qual seu plano para poupar a vida de Viktor?

Conde Klaus – Ele não pode voltar conosco. As pessoas querem matá-lo e o Dr Nathaniel quer fazer experiências nele. Além do mais, não podemos ver o rosto de Viktor sem que sua telepatia nos cause traumas.

Dr Wagner – E o que o senhor sugere?

Conde Klaus – (suspira) Meu falecido tio-avô, o Conde Kurt Viktório, possuía um velho castelo em Hamburg. Ele pode ficar a salvo lá.

Hans Klaus – Você pretende deixá-lo lá pelo resto de sua vida? Isso é salvar a vida dele?

Conde Klaus – (gritando) Tem alguma idéia melhor, pai?

Pausa...

Conde Klaus – (suspira) O castelo está abandonado e pertence a uma parte esquecida de nossa família. Lá ele poderia começar uma nova vida. Uma nova identidade. Ele seria o Conde Hans Viktório.

Hans Klaus – Ainda acho isso uma loucura, mas parece que é a única saída mesmo. E quanto aos criados? Ele não teria nenhum? E se tivesse, como eles poderiam conviver numa casa onde não podem ver a face do patrão sem que sejam acometidos por pesadelos?

Conde Klaus – Essa é a parte polêmica da questão. Viktor seria obrigado a usar uma máscara na frente de todos os outros. Isso evitaria que seu poder mutante afetasse seus criados, além de fazer com que ninguém descobrisse sua verdadeira identidade. A desculpa seria que ele sofreu um acidente que desfigurou seu rosto.

Dr Wagner – Então ninguém, além de nós três, saberíamos a verdade? Nem mesmo a mãe e o outro avô?

Conde Klaus – Eles o odeiam. A partir de hoje, Viktor está morto para o mundo.

Hans Klaus – Pelo menos poderemos visitá-lo de vez em quando.

Conde Klaus – Infelizmente não, pai. Para manter o disfarce, é necessário que todos nossos laços sejam cortados. Nunca mais poderemos entrar em contato com Viktor. Para salvar a vida de meu filho, nós teremos que esquecê-lo.

Dr Wagner – Então teremos que fazer isso o quanto antes. O garoto não pode ficar na minha casa por muito tempo! Temos que levá-lo para Hamburg ainda hoje, e amanhã eu mesmo posso contratar os seus criados. Se um de vocês fizesse isso, poderia levantar suspeitas.

Conde Klaus – Obrigado, Wagner. Sabia que podia contar com você.

Hans Klaus – (suspirando) Bem, então é isso. Vamos “matar” Viktor.

Os três homens entram no carro do Dr Wagner e vão para Hamburg juntamente com Viktor. A viagem é longa, e o Conde aproveita o tempo para explicar ao filho o que está acontecendo.

Viktor – (aos prantos) Mas pai, eu não quero ficar sozinho!

Conde Klaus – (lágrimas descem pelo seu rosto) É isso ou a morte, meu filho! Não posso viver sabendo que você foi morto! Pela manhã, você terá uma nova vida.

Viktor – (abraçando ao pai) Eu te amo, papai! Me desculpa!

Conde Klaus – Você não tem culpa de ter nascido assim, filho! (aos prantos) Eu também te amo.

As horas passam lentamente. Ao chegar em Hamburg, os quatro dirigem-se até o Castelo do Conde Kurt Viktório. Com um enorme pesar no coração, o Conde Klaus entrega ao filho uma máscara dourada de ferro, deixando apenas os olhos e a boca à mostra, e mais dois orifícios para respirar. Viktor fica de costas, retira a toalha que envolvia seu rosto e coloca a máscara. Ao virar-se, olha para o pai e o abraça.

Conde Klaus – Tenho que ir, filho. O Dr Wagner irá ajudá-lo agora.

Viktor – Adeus, pai.

Conde Klaus – Adeus, “Hans Viktório”.

Na Próxima edição: Treze anos depois, uma festa ocorre na Mansão Klaus em homenagem aos heróis do Esquadrão X, que resgataram o Embaixador Adolf Klaus das garras de seqüestradores. Mas o que ninguém desconfia é que o seqüestro foi apenas o início! Começa então uma série de eventos que irá culminar na ruína para a Família Klaus!

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