Foi o plano perfeito. Durante anos, Gambit e a Dra. Vanessa Rogue tramaram o motim que desestabilizaria a UCM. Israel e LeoSpidey foram assassinados. Gustavo Frost, Matt Murdock, Eric Tuf, Taryn, Mystique e James Howlett foram acusados de traição e hoje são fugitivos procurados mundialmente, enquanto Witch-X foi exilada no inferno. Era apenas questão de tempo para que X-Girl fosse caçada ou assassinada. Para protegê-la, X-Boy forja a morte da Legionária e cria uma nova identidade para ela. Isso aconteceu oito meses atrás. Hoje, com o falso nome de Elizabeth Pryde, a ex-X-Girl tem uma nova e pacata vida na cidade do Recife, em Pernambuco, onde é apenas uma universitária comum e sem poderes.
# Apartamento de Liz Pryde, a X-Girl. 15h31min.
X-Girl e Gil Garcia estão em frente ao computador pesquisando sobre o caso do Professor Alberto Nogueira.
X-Girl – Você disse que antes de morrer ele pediu para você pesquisar sobre a Pupila Rubi?
Gil Garcia – Exato! Só que não há nada no Google!
X-Girl – Putz! Fala sério! Você acha mesmo que iria ter uma página na internet dizendo “aqui é a Pupila Rubra! Entre e desvende nossos mistérios”.
Gil Garcia – (rindo) Tá certo! Vamos procurar mais!
X-Girl – Talvez estejamos indo pelo caminho errado. Você disse que seu pai e o professor Francisco Brasa faziam parte de um clube acadêmico, né?
Gil Garcia – Exato. Mas foi tudo o que o Brasa me disse. Que faziam parte de um clube cujos fins não eram, especificamente, acadêmicos. Disse que era mais ou menos como uma agência. Aí ele começou a passar mal, me mandou pesquisar sobre a Pupila Rubi e morreu.
X-Girl – Gil, durante sua infância você não se lembra de nenhum encontro desse tal “clube acadêmico” do qual seu pai e o Professor Brasa faziam parte?
Gil Garcia – Eu não sei, Liz. Eu tinha apenas seis anos. E meu pai era um professor renomado. Sempre tinha grupos de pessoas lá em casa.
X-Girl – Talvez se olhássemos umas fotos antigas de seu pai, poderíamos encontrar algumas pistas!
Gil Garcia – Tem razão! Minha mãe guarda até hoje todas as coisas do meu pai num baú velho. E tem várias fotos lá também!
X-Girl – E o que estamos esperando? Vamos lá!
Renascimento
Parte 2
O Clube Acadêmico
# Apartamento da Família Menezes. 16h12min.
X-Girl e Gil Garcia estão vasculhando nas coisas velhas do Professor Alberto Nogueira.
Gil Garcia – (com os olhos cheios de lágrimas) Caramba! Olha só pra isso! O troféu do torneio de pais e filhos no Acampamento Trajano. Eu tinha acabado de fazer seis anos quando ganhamos esse torneio.
X-Girl – Você deve sentir muita falta dele, né?
Gil Garcia – Meu pai era meu grande herói, Liz. Meu padrasto Manoel é um cara nota dez, mas nunca vai ser meu pai. (pausa) Você tem contato com seus pais, Liz?
X-Girl – Eles morreram quando eu tinha dez anos.
Gil Garcia – Oh, sinto muito. (vasculhando um álbum de fotos) Olha só essa foto, Liz. Esse aqui é meu pai, e esse ao lado dele é o Professor Francisco Brasa.
X-Girl – Quem são os outro quatro homens na foto?
Gil Garcia – Túlio Martins, Daniel Trajano, Adriano Barros e Mariano Figueiredo. Todos professores da UNICAP.
X-Girl – Esse Daniel Trajano tem algo a ver com o Acampamento Trajano que você ia durante a infância?
Gil Garcia – Ele é o dono de lá.
Depois de alguns instantes, Gil levanta-se e vai até sua mãe mostrar a foto.
Emmanuella Menezes – Claro que lembro deles! Eram velhos amigos de seu pai! Os seis formavam uma espécie de Clube Acadêmico. Reuniam-se freqüentemente lá no Acampamento Trajano. Aliás, você ia para lá sempre durante sua infância.
Gil Garcia – Mãe, você sabe o que esse clube fazia?
Emmanuella Menezes – Ah, sei lá, filho. Coisas de faculdade. Eles eram cheios de projetos.
X-Girl – Sra. Menezes, o nome “Pupila Rubi” lhe é familiar?
Emmanuella Menezes – Não, meu anjo. Nunca ouvi falar.
X-Girl e Gil Garcia se afastam e vão conversando até a sala.
X-Girl – Acho que estamos na pista certa, Gil! Temos que investigar sobre esse Acampamento Trajano. Você se lembra onde fica?
Gil Garcia – É meio longe daqui. Não fica em Recife. É em Aldeia.
X-Girl – (sorrindo) Para sua sorte o tanque do meu carro está cheio.
# Acampamento Trajano. Aldeia – PE
Gil Garcia – Bem, é aí. Liz, é melhor eu ir sozinho. Você fica no carro.
X-Girl – Nada disso! Estamos juntos nessa!
Gil Garcia – Você já fez muito por mim. Não quero que se machuque. Eu nunca me perdoaria. Espere no carro. Por favor.
X-Girl – (suspira) Ok.
Gil sai do carro e vai até a entrada do Acampamento Trajano, enquanto X-Girl vai estacionar o carro. Rapidamente, ela sai do carro, fica invisível e segue Gil Garcia.
Gil Garcia – Boa tarde, Daniel Trajano está?
Porteiro – Desculpe, meu jovem, mas o Sr. Trajano não reside aqui.
Gil Garcia – Entendo. Há alguém aí no Acampamento a essa hora?
Porteiro – Só seu filho Victor Trajano.
Gil Garcia – O Victor está aí? Puxa, que legal! Fala que o Gilberto Garcia está aqui! Somos velhos amigos de infância! Diga-lhe que estou fazendo uma reportagem pra um trabalho de faculdade e queria bater um papo com ele!
Porteiro – Um minuto. Irei interfonar para o Sr. Trajano. (alguns segundos depois) Ok, Sr. Garcia. O segurança vai levá-lo até a sala do Sr. Trajano. Favor acompanhá-lo.
Gil Garcia vai com o segurança, enquanto a invisível X-Girl o segue.
Victor Trajano – (sorrindo) Gilberto Garcia! Cara, faz séculos que não o vejo! Por onde andava, velho amigo?
Gil Garcia – (abraçando Victor) Vida corrida, Vic!
Victor Trajano – O Adalberto me disse que você queria fazer uma reportagem. Só assim para você me visitar, né? (risos)
Gil Garcia – Na verdade, Victor, não é bem uma reportagem. É que eu estava vasculhando as coisas do meu pai e matando a saudade. Aí comecei a relembrar os velhos tempos aqui no Acampamento Trajano.
Victor Trajano – Bons tempos, né? Nós sempre vínhamos para cá com nossos pais, né? Eu, você, o Juba, a Lea...
Gil Garcia – Putz, cara! É mesmo! Nem lembrava mais do Juba e da Lea! Como eles estão?
Victor Trajano – Do Juba nunca mais tive contato, mas a Lea vem sempre aqui. Às vezes sozinha, às vezes com o pai. Está uma linda moça, cara!
Gil Garcia – Realmente eram bons tempos. Do que você se lembra daquela época, Vic? Você sabe algo do Clube Acadêmico do qual nossos pais faziam parte?
# Enquanto Gil e Victor conversam, X-Girl dá uma volta pelo acampamento. Ela atravessa as paredes e entra nos alojamentos, visita os estábulos dos animais, o refeitório, as quadras de esporte... E é tudo muito normal. Nada de suspeito.
X-Girl – Liz, Liz! Isso tudo é loucura! O que você pretende ajudando o Gil? Se redimir por causa de todos os crimes que você não impediu enquanto esteve em Recife? E se esse Professor Francisco Brasa for só um velho gagá e o clube acadêmico for, realmente, um clube acadêmico?
De repente, enquanto vasculha umas pastas em um dos escritórios, X-Girl vê uma pasta com o nome “Pupila Rubi”.
X-Girl – Ou realmente o clube acadêmico é uma pupila rubi!
Subitamente, uma empregada entra na sala e vê a pasta flutuando no céu, já que X-Girl está invisível. Desesperada, a empregada começa a correr e gritar “assombração”.
Victor Trajano – Que diabos está acontecendo?
Victor e Gil saem da outra sala e vão até a empregada, enquanto X-Girl atravessa as paredes e foge, voltando ao carro.
Victor Trajano – O que houve, Genoveva?
Genoveva Santos – (ofegante) Fantasma! Fantasma! Eu vi uma pasta voando ali!
Victor Trajano – Ah, Genoveva! Vai tomar teu remédio vai!
Gil despede-se de Victor, sai do acampamento e volta pro carro.
X-Girl – E aí?
Gil Garcia – O Victor sabe tanto quanto eu. Ou pelo menos engana muito bem.
X-Girl – Bom, talvez isso nos ajude. (mostrando a pasta com o nome “Pupila Rubi”)
Gil Garcia – (espantado) Como você conseguiu isso?
X-Girl – (sorrindo) Subornei um dos seguranças.
Gil Garcia – Liz, você é demais!
# Apartamento de Liz Pryde, a X-Girl.
X-Girl e Gil Garcia começam a ler o conteúdo da pasta “Pupila Rubi”.
X-Girl – Bom, de acordo com esses registros, seu pai, Francisco Brasa e os outros quatro professores realmente faziam parte desse “clube” desde 1977. E ao que tudo indica, ele continua em atividade até os dias de hoje, mesmo contando apenas com quatro membros da equipe original.
Gil Garcia – É, mas esses documentos não falam dos fins desse clube. O que eles faziam? Por que “Pupila Rubi”?
X-Girl – Hmmm. Vê só, Gil. Tem uma lista de nomes de mulheres aqui.
Gil Garcia – Deixa eu ver. (olhando a lista e ficando espantado) Liz, olha! Eleonora Aragão! O nome dela tá na lista!
X-Girl - Eleonora Aragão? A sua babá que teve um caso com seu pai e que, supostamente, o assassinou?
Gil Garcia – Exato! Mas o que ela faz nessa lista? E o que realmente é essa lista?
X-Girl – (olhando a lista) Essa lista é do ano de 1981. Você conhece algum desses outros nomes?
Gil Garcia – Não. Só a Eleonora. Mas olha só. Tem outras listas de nomes aqui e de outros anos. 1993, 1997, 2003...
X-Girl – Gil, olha só! Essa é desse ano!
Gil Garcia – Deixa eu ver! (olhando atentamente a lista) Liz! Acho que agora temos uma pista! Uma das mulheres dessa lista chama-se Lea Barros, uma velha amiga minha de infância que também freqüentava o Acampamento Trajano e é filha de Adriano Barros, um dos professores membros da “Pupila Rubi”.
X-Girl – Você ainda tem contato com ela? Sabe onde mora?
Gil Garcia – Faz anos que a vi, mas o Victor me deu seu endereço. Vamos lá!
# Apartamento de Lea Barros. Casa Forte, Recife – PE.
Gil e Liz chegam ao prédio de Lea Barros e vão até seu apartamento.
Lea Barros – (sorrindo) Não acredito! Gil Garcia, seu peste! (abraçando-o) Por onde andava esse tempo todo?
Gil Garcia – (sorrindo) Na correria, Lea. Faculdade, estágio... Sabe como é, né? Ah! Essa aqui é Liz Pryde, uma amiga minha.
Lea Barros – (sorrindo) É um prazer, Liz! E então, Gil? O que o traz a meu humilde apartamento?
Gil Garcia – Nostalgia! (risos) Hoje passei lá no Acampamento Trajano e fiquei de papo com o Victor. Aí ele falou que você sempre ia lá e tal. Então, bateu uma saudade e vim te visitar! Peguei seu endereço com ele.
Lea Barros – (risos) É sempre bom ver um rosto conhecido, Gil!
Gil Garcia – Mas diz aí! Parece que você tá bem de vida, hein? Mora sozinha nesse apê?
Lea Barros – Pois é. Tenho trabalhado como modelo fotográfica nos últimos anos e tenho me dado muito bem.
Gil Garcia – Ah, que legal. Sabe, Lea, eu tava lembrando da nossa infância lá no Acampamento Trajano e comecei a revirar as coisas antigas do meu pai. Você sabia que ele, seu pai, o pai do Vic e mais três amigos faziam parte de um Clube Acadêmico?
Lea Barros – (sorrindo) Ah, sim! Lembro! Eles sempre se reuniam.
Gil Garcia – Pois é. Lembro vagamente. Então, você se lembra o que eles faziam nesse clube?
Lea Barros – Ah, sei lá, Gil. Pra que você quer saber disso agora?
Gil Garcia – Bom, não é segredo pra ninguém que eu sou meio obcecado pelo passado do meu pai, né? Eu só queria saber mais sobre ele.
Lea Barros – Infelizmente não sei o que eles faziam especificamente no clube, Gil.
Gil Garcia – (levantando-se do sofá) Bem, acho que já está tarde. Temos que ir, né, Liz?
X-Girl – Tem razão.
Lea Barros – Eu os acompanho até a porta. Venha sempre, Gil! Você também, Liz!
X-Girl – (sorrindo) Obrigada, Lea. (olhando para o anel dela) Bonito anel.
Lea Barros – (sorrindo) Obrigada! Foi presente do papai.
Gil Garcia – (dando um abraço em Lea) Até mais! Foi um prazer revê-la. Só falta reencontrar o Juba pra turma ficar completa de novo! (gargalha)
Gil e Liz vão embora, enquanto Lea volta para dentro de seu apartamento e faz uma ligação.
Lea Barros – (ao telefone) Alô? Gilberto Garcia esteve aqui.
# No carro...
Gil Garcia – Temos que sondar mais. E se a gente invadisse o apartamento dela de madrugada para procurar pistas?
X-Girl – Gil, às vezes você tem cada idéia absurda.
Gil Garcia – Por que você está vasculhando as pastas da “Pupila Rubi” de novo?
X-Girl – (pegando umas páginas) Porque, sem querer, a Lea nos deu uma importante pista! A pedra do anel que ela usava era um rubi. E segundo essas prestações de contas, o professor Adriano Barros fez um compra absurda de vários anéis de rubis.
Gil Garcia – E agora que você comentou, eu me lembro que a Eleonora Aragão também usava um anel parecido.
X-Girl – Então, provavelmente, todas as mulheres dessa lista também usavam esse anel de rubi.
De repente, o telefone de Gil Garcia toca.
Gil Garcia – Número confidencial? (atendendo ao telefone) Alô?
Juba – (ao telefone) Soube que você tem feito reencontros de infância recentemente. Será que não esqueceu de mais alguém dos seus amigos de infância?
Gil Garcia – (espantado) Juba? É você? Como conseguiu esse número?
Juba – (ao telefone) Tenho meus contatos. Gilberto, você tá entrando numa fria, cara. Se eu fosse você, sairia fora. A “Pupila Rubi” tem sórdidos segredos e seus membros estão dispostos a tudo para preservá-los. Seu pai e Francisco Brasa pagaram com a vida por abrir a boca. Quer mesmo entrar nisso?
Gil Garcia – (ao telefone) O que você sabe sobre a Pupila Rubi?
Juba – (ao telefone) Você não vai mesmo desistir, né?
Gil Garcia – (ao telefone) “Desistir” não existe em meu vocabulário. E então? Onde podemos nos encontrar para relembrar os velhos tempos?
Juba – (ao telefone) Amanhã de manhã no Bar do Pesqueiro às nove da manhã, na praia de Calhetas.
Gil Garcia – (ao telefone) Como eu vou saber que você é? Faz anos que o vi!
Juba – (ao telefone) Eu sei quem você é. Eu o encontro. Vá sozinho. (desligando o telefone)
Gil Garcia – Ele marcou comigo amanhã. Disse que sabe coisas sobre a Pupila Rubi.
X-Girl – Você não está considerando ir, né? Gil, faz quase vinte anos que você o viu pela última vez! E se for uma cilada?
Gil Garcia – Um repórter de verdade encara os riscos de frente, Liz! Eu vou amanhã e irei descobrir a verdade sobre a Pupila Rubi!
Na próxima edição: Gil Garcia reencontra seu velho amigo de infância e finalmente descobre o que realmente é a “Pupila Rubi”.
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