quinta-feira, 26 de março de 2009

Legião X # 28 [BRASIL EM P&B - 1 de 3]



X-Boy, um popstar com poderes energéticos, James Howlett, um jovem rebelde com garras de ossos retráteis e fator de cura, Eric Tuf, um selvagem Homem-Leão, X-Girl, uma garota com o poder da intangibilidade e invisibilidade, Taryn, uma jovem japonesa exímia em artes marciais, e LeoSpidey, um garoto com poderes aracnídeos. Juntos eles formam a Legião X, um grupo de jovens super-heróis.

Anteriormente em Legião X...

A invasão alienígena três meses atrás deixou sérias cicatrizes na população mundial, fazendo com que todos vivam em pânico. Com o objetivo de estar cada vez mais preparado para enfrentar as novas ameaças que assolam o mundo, Israel cria uma série de novos projetos e propõe grandes reformulações na UCM, dentre eles a criação da UCM Oriental. Com o intuito de acelerar esse projeto, Israel parte com Zeitgeist para o Japão, deixando Gus Frost como diretor interino da UCM. Mystique está de volta à UCM com a missão de ser a responsável pela Legião X, que acaba recebendo dois novos membros: o selvagem Eric Tuf e Taryn Ashido, uma exímia em artes marciais. O retorno de Mystique começou a balançar a relação entre Matt Murdock e Anna Raven, que nem desconfia que Matt ainda mantém um caso com seu antigo amor. Paralelo a isso, Witch-X recebe a inesperada visita de Mag’Xorn que diz que ela é peça fundamental numa profecia que foi escrita há séculos e só ela pode impedir o apocalipse. Então, a Legionária resolve afastar-se da equipe para partir em uma missão secreta em busca do misterioso Livro do Armagedom. O Natal chegou e os Legionários comemoram o feriado. Enquanto X-Girl convida Iceboy e Taryn para passar a noite de Natal com sua família, James Howlett e a Dra Vanessa Rogue, que até então iriam passar o Natal sozinhos, resolvem jantar juntos na casa da Dra Rogue. Meses atrás, os Legionários conheceram Destrutor, um herói das ruas que se preocupa com os problemas urbanos dos quais as grandes autoridades fecham os olhos...


Abra meus olhos



# Recife – PE. Hospital Getúlio Vargas. 02 de Janeiro de 2005. 23h12min.

A choradeira é angustiante. Três crianças se desmancham em prantos enquanto aguardam na fila. Um senhor de mais ou menos setenta anos de idade está sentado em sua cadeira de rodas enquanto agoniza de dor. Uma jovem em seus vinte e dois anos continua inconsciente, enquanto um rapaz de dezoito tenta esquecer a dor da perna quebrada. São cerca de vinte e oito pessoas. Todas aguardando um atendimento médico. Nenhum deles têm dinheiro para pagar um plano de saúde e ir para um hospital particular. Só lhes resta, então, esperar nessa fila que mais parece um enorme corredor polonês...

Um casal entra aos prantos no Hospital com o filho nos braços e dirigem-se para o corredor onde estão localizadas as salas de atendimento médico. Porém, um segurança os barra dizendo que eles têm que preencher uma ficha cadastral antes. O pai revolta-se, dizendo que o filho tem que ser atendido logo, mas o segurança diz que são normas do Hospital e que ele está apenas cumprindo com suas obrigações. Mesmo revoltado, o pai da criança vai até o balcão, preenche algumas fichas e, minutos depois, entra no corredor com sua esposa e filho. A situação é angustiante. Dezenas de pessoas estão na fila à espera de um atendimento. Alguns estão sentados no chão, outros mantêm-se de pé. Desesperada pela saúde do filho, a mãe pára uma enfermeira e, aos prantos, pede que um médico atenda seu filho. A enfermeira diz para a mulher ter paciência e que logo chegará sua vez. O garoto está ardendo em febre e continua inconsciente. Os pais não sabem o que houve. Os minutos passam, mas nada do garoto ser atendido. Revoltado, o pai começa a gritar e derruba uma estante localizada no corredor. Dois seguranças aparecem e o seguram, tentando acalmá-lo. O pai fala que quer apenas que seu filho seja atendido. Quer que salvem a vida dele. De repente, o garoto abre os olhos. Por um instante, os pais respiram aliviados, mas depois o garoto começa a tossir. Tosse cada vez mais forte, até cuspir sangue. Os olhos da mãe enchem-se de lágrimas. O garoto tosse cada vez mais forte e começa a ter uma crise asmática. O pai começa a gritar exigindo que um médico atenda seu filho. Infelizmente, sem conseguir respirar, o garoto acaba falecendo na fila do hospital, antes mesmo de ser atendido...

# Rio de Janeiro – RJ. UCM. Sala dos Legionários. 03 de Janeiro de 2005. 10h16min.

X-Boy – Você tá pegando a Dra Rogue???

James Howlett – Shhh! Fala baixo! E não é nada disso que você tá pensando! A gente só passou o Natal juntos!

X-Boy – (com um sorriso sarcástico) Sei... (sentando-se de frente para James) Você quer dizer que vocês dois passaram a noite de Natal juntos e não rolou absolutamente nada?

James Howlett – É sério, pô! Nós jantamos, bebemos vinho e conversamos a noite toda.

X-Boy – (levantando-se abruptamente da cadeira) Putz, Jaime! E eu botava fé em você! Tu é muito mané! Perdeu uma oportunidade de ouro com a gata da Dra Rogue!

James Howlett – Qualé! Ela é minha amiga! A gente se divertiu muito! (sorrindo) A Vanessa contou várias histórias dela. Você sabia que ela estrelou uma peça de teatro do Fantasma da Ópera quando tinha dezesseis anos?

X-Boy – (sentando no sofá) Jaime, meu amigo, estou começando a achar que tu tá perdido! Tu caiu numa armadilha, cara! Tu ficou cego!

James Howlett – Hein? Como assim?

X-Boy – Tu tá com os quatro pneus arriados por ela! Tá completamente abobalhado! Traduzindo: tá perdidamente apaixonado.

James Howlett – Que é isso? Eu? Apaixonado? Que nada...

X-Boy – Jaiminho, Jaiminho... Não adianta negar, meu irmão! Você está mesmo doente! Basta ver os sintomas: tu passou o Natal com ela, ficaram conversando durante toda a noite ao invés de fazer coisas mais interessantes, sabe histórias da vida dela, fica com esse olhar de peixe-morto toda vez que fala dela, e ainda por cima a chama de “Vanessa”! Tu é quase um caso perdido, Jaime!

James Howlett – Tu tá viajando!

X-Boy – E no Reveillon? Vocês ficaram juntos também?

James Howlett – Não. Ela passou com os pais no interior de São Paulo.

X-Boy – Deixa eu adivinhar: vocês passaram horas ao telefone, acertei?

James Howlett – Claro que não! (pausa) A gente se falou pelo MSN.

X-Boy – (gargalhando) Tu tá no mais alto nível de paixão, Jaime! (cantando) Jaime e Vanessa, andando pelo bosque, de mãos dadas... lá lá lá ...

X-Girl – (chegando) Oi meninos! Que alegria toda é essa, Marcinho?

James Howlett – Nada! O X-Boy tá ensaiando uma música nova.

X-Boy – Quer ouvir, Liz? (gargalha)

James Howlett – (gritando) X-Boy, ou tu cala essa boca ou eu vou te bater tanto que tua cara vai ficar igual ao do Corcunda de Notre Dame!

X-Girl – Credo! Que hostilidade, Jimmy! Bom, deixa pra lá. A Mystique tá no carro esperando a gente lá na frente da UCM. Ela disse que explica a missão no caminho.

# Três mutantes invadiram um shopping center e fizeram catorze reféns em uma joalheria. O shopping foi evacuado e os Legionários entraram para tentar capturar os mutantes e resgatar os reféns, enquanto Mystique continua do lado de fora em um furgão com alguns agentes das Equipes Beta.

James Howlett – (falando pelo comunicador) Já estamos dentro, Mystique. Onde os mutantes estão?

Mystique – (falando pelo comunicador) Numa joalheria no piso superior, James. Próximo à Praça de Alimentação. Segundo a descrição de testemunhas, um dos mutantes pode transformar seu corpo em água, o outro tem força sobre-humana, enquanto que o último é “pegajoso”, não me perguntem o que isso significa!

X-Girl – (falando ao comunicador) Beleza, Mystique! A gente vai tomar cuidado!

James Howlett – Ouviram, né, galera? A gente tem que chegar na surdina e pegar esses caras! A Mys falou que eles roubaram cerca de cem milhões de reais em jóias em três joalherias. Eles exigem que as autoridades se afastem e lhe forneçam um carro para que possam fugir. Caso contrário, eliminarão os reféns.

X-Girl – É isso aí! Temos que nos concentrar na missão para evitar que alguém saia ferido!

De repente, ouve-se Eric Tuf gargalhar dentro de uma loja de brinquedos.

James Howlett – Qual é a graça, Tuf?

Eric Tuf – (gargalha) Olha só pra isso, Jimmy! Eu não sabia que vocês tinham bonecas!

LeoSpidey – Putz! Eu não sabia que eu existia um boneco meu!

Taryn – Hey! Cadê a versão 2005 da Legião X? Essa coleção só tem vocês quatro e a Witch-X! Eu quero minha boneca!

Eric Tuf – (arrancando os bonecos de James e X-Boy da caixa) Olha só! O James e o X-Boy estão passeando pelo shopping! Lá lá lá. “Ai, fofa! Vamos fazer compras?” “Claro, querida! Tenho que comprar um shortinho novo para meu show!”. (gargalha)

X-Boy – Aí, meu irmão! Isso são figuras de ação, e não bonecas! Quem é boneca é tu, pois fica aí brincando feito uma menininha!

X-Girl – Meninos! Parem de brigar! Temos que nos concentrar na missão!

X-Boy – (apontando para Eric Tuf) Mas foi ele quem começou!

Eric Tuf – (sentado no chão) “Ai, Jaiminha, será que essa roupa me deixa gorda?” “Você tá linda, menina! Deixa de besteira e vamos pro shopping comprar esmalte para eu passar nas minhas garras!” (gargalha)

James Howlett – (levantando Eric do chão) Deixa de ser besta, Eric! Vamos logo!

X-Boy – Unf! Vou pedir pro nosso gerente de marketing fazer um boneco versão gay do Eric Tuf!

Eric Tuf – Então ele vai se inspirar na tua boneca, né, X-Boyola? (gargalha)

X-Boy – Aí, eu vou espancar esse cara agora! Ninguém fala mal da figura de ação do X-Boy!

X-Girl – Marcinho! Pára com isso! Somos uma equipe! Uma família! Você não pode bater no Eric!

LeoSpidey – É, pô! O Ibama pode te processar! (gargalha)

Mystique – (falando no comunicador) Crianças, gostaria de dizer que estou ouvindo toda a conversa pelo comunicador. Será que dá para se concentrarem na missão ou terei que ir aí dar uma chinelada em cada um?

X-Girl – (falando no comunicador) Tudo bem, Mystique. Eles já pararam.

X-Boy – Agora falando sério, será que esses ladrões são que nem aqueles de filmes americanos, munidos de toda uma parafernália de alta tecnologia?

LeoSpidey – Eitha! Tu assistiu Ladrão de Diamantes com o Pierce Bronsan?

Taryn – Ai, ele tava lindão nesse filme!

X-Girl – Pessoal! Vamos nos concentrar! Se eles forem mesmo ladrões especialistas, então teremos que ter um bom plano.

Os Legionários param as brincadeiras e começam a traçar um plano. Enquanto isso, na joalheria, os três mutantes tentam acalmar os ânimos dos reféns.

João Ardiloso – Aí, meu irmão! Manda essa mina calar a boca ou eu mesmo vou calar com minha gosma, tá ligado?

Laranja Negra – Calma, João. A gente prometeu não fazer nada com eles.

João Ardiloso – Mas até agora não vi carro nenhum, meu chapa!

Zé Molhado – A gente não deveria ter feito isso! Os homi vão mandar a Legião X!

João Ardiloso – Tá com medo, Zé? Não precisa ter medo não, meu irmão! A gente somos páreo pra eles, tá ligado?

Os três seqüestradores continuam conversando entre si, enquanto X-Girl atravessa as paredes do shopping, entrando na joalheria usando sua invisibilidade. Ela cria um campo de força invisível, envolvendo todos os reféns. Então, subitamente, um rombo é aberto na parede e X-Boy e Eric Tuf surgem.

Zé Molhado – (urinando nas calças) E-eu falei!!! Oiaí a Legião X!

João Ardiloso – (olhando para o parceiro) Putz! Agora sei porque te chamam de “Zé Molhado”. Se liga, manos! A gente podemos acabar com eles!

João Ardiloso lança alguns jatos gosmentos de seus pulsos, prendendo Eric Tuf e X-Boy no chão.

LeoSpidey – (chegando e esmurrando João Ardiloso) Lançando jatos de substâncias orgânicas através dos pulsos? Essa é minha marca registrada, cara! Agora você vai ter que responder na justiça por um processo de plágio!

Laranja Negra ergue uma estante e arremessa contra Leo, mas o jovem aracnídeo é alertado pelo seu sentido de aranha e desvia-se rapidamente. Logo em seguida, James Howlett vem por trás e rasga as costas de Laranja Negra. Só que, em instantes, sua pele se regenera, semelhante ao que acontece com James. Laranja Negra vira-se e segura James pelo pescoço.

Laranja Negra – (com fúria nos olhos) Heroizinhos insignificantes! Só se preocupam com o bem-estar das pessoas ricas e importantes! Onde vocês estavam quando minha filha foi assassinada enquanto voltava do colégio? Onde vocês estavam quando o lugar onde moro virou campo de batalha entre gangues? (arremessando James contra a parede) Vocês não olham para a gente! Nos ignoram como se fôssemos ratos de esgotos! (chutando a face de James) Vocês se acham melhores do que nós porque moram em mansões e grandes edifícios, enquanto gente como eu tá vivendo em barracos! (chutando a face de James)

James cospe sangue, levanta a cabeça com dificuldade e olha para Laranja Negra, quando percebe que mais uma vez ele prepara-se para chutar-lhe a face, até que Taryn surge por trás e dá-lhe um forte golpe na nuca, fazendo com que o Laranja tombe inconsciente no chão.

Taryn – James? Meu Deus! Seu rosto está horrível!

James Howlett – (cuspindo sangue) Espera ... alguns minutos. Daqui a pouco... melhora.

João Ardiloso está preso no chão pela teia de LeoSpidey. Ela olha para o lado e vê Zé Molhado em pé e imóvel.

João Ardiloso – Zé! Pega a arma! Atira nesses jumentos!

Zé Molhado – E-eu não posso...

João Ardiloso – Tu quer morrer, seu idiota? Quer ir pra prisão e apodrecer lá? Atira logo nesses heroizinhos e vamos sumir daqui logo!

Zé Molhado saca umas das armas que João Ardiloso tinha trazido por precaução e mira em Taryn, que está de costas para ele e há uma certa distância. Suas mãos tremem. O suor escorre pelo seu rosto. Ele prepara-se para atirar, quando, de repente, X-Girl usa seu campo de força em modo ofensivo atingindo-o e fazendo-o largar a arma. Zé Molhado ajoelha-se no chão aos prantos.

X-Girl – Você não vai matar ninguém hoje, está me ouvindo?

Zé Molhado – (aos prantos) Por favor, não me mate! Não me mate! E-eu não queria machucar ninguém! Não era pra ser assim! E-eu estava desesperado... sem dinheiro... E o João disse que podia me ajudar! Oh, Deus! Oh, Deus... O que eu fiz? (tapando o rosto com as mãos) Eu só queria dinheiro pra botar comida em casa para meus filhos...

# UCM. Sala dos Legionários. Três horas depois...

Os três ladrões foram presos, enquanto os reféns foram libertados são e salvos. E, mais uma vez, o público ovacionou e agradeceu à Legião X, enquanto X-Boy e Eric Tuf disputavam as atenções das câmeras. Ao término da missão, X-Girl foi para a Sala dos Legionários e ficou lá até agora. Pensando e refletindo. Como Legionária, X-Girl sempre enfrentou os mais diversos tipos de ameaças. Já salvou o mundo de ataques terroristas, de uma invasão alien, de demônios, mutantes insanos e bruxas. Mas nunca se envolveu em batalhas urbanas contra perigos urbanos. Ela estava sempre tão preocupada em salvar o mundo de ameaças realmente monumentais, que esquecia pequenos problemas que aconteciam ao seu redor.

LeoSpidey – (chegando) Aê, Liz! Tu viu aquele meu tênis vermelho?

X-Girl – Aquele que você comprou em Los Angeles com o Jimmy? Deve tá debaixo da mesinha do computador...

LeoSpidey – Tá aqui mesmo! (calçando o tênis e saindo pela janela) Valeu, Liz. Tá na hora de minha ronda diária pela Cidade Maravilhosa! Tchau!

Liz pára e reflete, pensando em como a fama de ser um Legionário influenciou na vida de cada um de seus amigos. Ela exclui Eric e Taryn, pois ambos são novatos e ainda estão se acostumando com isso. Ela lembra de X-Boy. Ele é o que mais aparece na mídia. Claro que sua carreira de popstar também contribui com isso. Tá sempre em programas de TV, em revistas de música e de adolescentes, e é presença constante na MTV. Ele tá sempre correndo atrás do sucesso e procurando meios de aumentar cada vez mais sua popularidade perante o púbico. Já James e Witch-X sempre foram muito reservados em relação à fama. Nunca se importavam se faziam sucesso ou não. Tudo o que queriam era a grana que ganhavam como Legionários para poderem gastar. X-Girl também é bastante reservada. Não é desesperada em aparecer na mídia como X-Boy, mas também não a ignora como James e Witch-X. Ela é sempre calma e serena, realizando entrevistas regularmente e aparecendo em programas de TV sempre que é chamada. O engraçado é que uma pesquisa da MTV constatou que X-Girl é a Legionária mais querida perante o público, mesmo com toda a auto-propaganda do X-Boy. Mas o Leo é o diferencial. Ele também vive na mídia, entretanto, não somente pela sua fama como Legionário. De uns meses pra cá, Leo começou a atuar sozinho pelas ruas do Rio de Janeiro e da extinta São Paulo quando não tinha que executar nenhuma missão como Legionário. Em suas horas vagas, Leo realizava rondas pela cidade e resolvia pequenos crimes e acidentes. Prendia ladrões de lojas, salvava crianças que se afogavam nas praias, evitava assaltos à mão armada nas ruas, ajudava as vítimas de acidentes de automóveis... Leo passeava pela cidade à procura de problemas a serem resolvidos. O povo ama o Leo. As crianças o vêem como seu super-herói preferido. De uns meses pra cá, o índice de criminalidade caiu consideravelmente na cidade. E não foi por causa de uma melhoria na segurança ou melhor policiamento. Foi tudo graças a um único jovem de dezesseis anos. Imagina só o que aconteceria se todos os outros heróis seguissem o exemplo do Leo.

X-Girl – O que aconteceu comigo? Lembro que quando eu era mais jovem sonhava em mudar o país. Via as injustiças que aconteciam no Brasil e dizia que “queria ter poder e influência para mudar isso”. Por que desisti? Por que abandonei meus sonhos de um país melhor e mais justo? Será que esse não é o momento de fazer tudo valer a pena? De usar minha fama de heroína para ajudar os mais favorecidos?

# Bairro do Leblon. 23h12min.

James Howlett anda pelas ruas após beber duas dúzias de cerveja no Bar Jones. Ele lembra-se das palavras do Laranja Negra. Por que eles, os heróis, não se esforçam mais para ajudar os outros? Por que a UCM não os encaminha para evitar um tiroteio em um morro de favelas? Bom, na teoria, esse é o trabalho dos policiais, certo? O trabalho dos heróis é enfrentar ameaças grandiosas, que os “humanos normais” não conseguiriam. Mas o que acontece quando os policiais não fazem seu serviço? Quem ajuda essas pessoas? Quem prezará pela segurança dos mais necessitados? James continua andando pelas ruas, até que vê um quatro homens cercarem um rapaz dentro de um beco escuro. Os homens começam a bater no rapaz, que tomba no chão.

James Howlett – Aí, caras. Larga o rapaz! Deixa ele ir embora!

Chico – Fica na tua, meu irmão!

Hugo – É issaí! Vai embora, senão nós vai te bater também, tá ligado?

James Howlett – Que medinha! (dando alguns passos em direção aos quatro homens) Já mandei vocês deixarem o rapaz ir embora. Estou pedindo com educação. Vocês tão me obrigando a usar a violência.

Vinícius – Aí, quer saber? Já tô de saco cheio desse monte de m***a ficar me dizendo o que fazer! Vamo bater logo nesse cara, galera!

Sérgio – É isso aí! (pegando um cano) Vamo calar a boca dele!

James Howlett – (sorrindo) Beleza! Eu tava mesmo precisando exercitar meus ossos! Principalmente essas belezinhas aqui. (mostrando as garras)

# UCM. Sala dos Legionários. 04 de Janeiro de 2005. 08h41min.

X-Girl está sentada e navegando pela internet, quando James e Leo entram na sala.

LeoSpidey – (...) Aí semana que vem eu tô indo pra Floripa participar do novo clipe do Capital Inicial.

James Howlett – Pô, que legal! Manda o Dinho autografar meu CD!

LeoSpidey – Beleza, Jimmy! E tu, Liz? Quer alguma coisa do Capital? Liz? Liz, tá me ouvindo?

X-Girl – Oh, desculpa, Leo! Eu tava distraída...

James Howlett – Quê que tu tá olhando aí, Liz?

X-Girl – Eu tô lendo algumas reportagens.

LeoSpidey – Sobre o que?

X-Girl – Fome, miséria, tráfico, assassinatos...

LeoSpidey – Credo! Por que tudo isso?

James Howlett – Você ficou meio balançada com o lance de ontem, não foi? Os três assaltantes.

X-Girl – O Brasil é um caos, Jimmy! Olha só pra isso! Como é que pode existir pessoas que vivem em mansões e gastam rios de dinheiro com futilidades, enquanto essa gente aqui passa necessidade e luta para sobreviver dia após dia? Que país é esse?

LeoSpidey – Eu entendo o que você quer dizer, Liz. Sabe, quando meus pais morreram, meu tio ganhou de “herança” um sobrinho de dois anos de idade. Você não imagina no sufoco que ele passou. Na época o Tio Lopes era um simples fotógrafo de um jornal lá de Curitiba e o salário dele mal dava pra sustentá-lo, imagina então sustentar uma criança. (emocionando-se) Passamos por anos de aperto financeiro. Tinha dias que o Tio Lopes nem almoçava, pois não tínhamos dinheiro pra comprar muita comida, então ele dava tudo pra mim e às vezes ficava sem comer.

X-Girl – Puxa, Leo. Eu não sabia... Você nunca falou sobre isso com a gente...

LeoSpidey – Pois é. Não gosto de ficar remexendo o passado. Mas, felizmente, hoje estamos bem melhor, financeiramente falando. O que me entristece é que existe muita gente passando por necessidades piores das quais eu passava. Eu gostaria de ajudar, mas não sei como! Não tenho poder pra isso...

James Howlett – Tô ligado, Leo! Fico revoltado com tudo isso! Fome, miséria, drogas, prostituição infantil... esse é um Brasil esquecido por aqueles que estão no poder e que escondem esses problemas debaixo do tapete.

X-Girl – Mas claro que temos poder pra isso sim! Somos celebridades! Podemos fazer alguma campanha, reunir uma grana e ajudar as pessoas mais carentes!

James Howlett – Tipo, como o Bono Vox faz?

X-Girl – Sabe, a gente ganha uma grana legal trabalhando para o governo como Legionários, mas o que fazemos de útil com esse dinheiro? Tudo o que fazemos é gastar com nós mesmos.

LeoSpidey – A Liz tem razão. A gente podia usar nosso dinheiro para fazer o bem para os mais necessitados. Além do mais, poderíamos usar nosso status perante o público para tentar conscientizar o povo para ajudar o próximo.

James Howlett – Mas você já tem alguma idéia, Liz?

X-Girl – Mais ou menos. Tenho uma espécie de projeto social em mente. Mas não posso fazer isso sozinha. Preciso de ajuda. E não falo só de ajuda financeira, mas também de cooperação. De pessoas dispostas a trabalhar sem esperar receber nada de valor material em troca.

James Howlett – Pode contar comigo, Liz!

LeoSpidey – Comigo também!

X-Girl – (sorrindo) Sabia que podia contar com vocês, meninos!

James Howlett – Mas diz aí, Liz, sobre o que se trata o projeto?

A seguir: A miséria no Brasil é um grande problema e que não pode ser resolvido simplesmente de uma hora para outra, mas X-Girl acredita que alguém tem que dar o primeiro passo rumo a um futuro melhor e começa a pôr em prática um novo projeto social.

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