Após o motim que desestabilizou a UCM, X-Boy forja a morte de X-Girl e cria uma nova identidade para protegê-la. Isso aconteceu oito meses atrás. Hoje, com o falso nome de Elizabeth Pryde, a ex-X-Girl tem uma nova e pacata vida na cidade do Recife, em Pernambuco, onde é apenas uma universitária comum e sem poderes.
# Lagoa do Araçá. Imbiribeira. Recife – PE.
Um casal está se agarrando dentro de um carro.
Luzia Marques – Não, Marcelo. Assim não.
Marcelo Tavares – Calma, Luzia! Só estamos nós dois aqui. Ninguém vai saber.
Luzia Marques – Você sabe que eu tenho medo...
Marcelo Tavares – Fica fria! Seu namorado nunca vai desconfiar da gente.
Luzia Marques – Não ele que me preocupa. A Juliana é minha melhor amiga...
Marcelo Tavares – Bah! A minha relação com a Juliana já está desgastada! Logo iremos terminar.
Luzia Marques – Não sei não...
Marcelo Tavares – Shhh. Relaxe. (sorrindo) Vamos esquecer os dois e aproveitar o momento.
De repente, alguém começa a jogar ovos no carro.
Marcelo Tavares – Mas que porcaria é essa?
Luzia Marques – (assustada) Marcelo, liga o carro e vamos embora.
Marcelo Tavares – Nem a pau! (pegando a arma) Eu sou policial civil! Esse mané vai se arrepender de ter se metido comigo!
Marcelo sai do carro portando a arma e não vê ninguém.
Marcelo Tavares – (gritando) Aparece, covarde! (dando tiros pra cima) Aparece se for homem!
De repente, surge alguém fantasiado de boneco do Fofão. Marcelo dá vários tiros, mas as balas não surtem efeitos. Então, o “Fofão” abre um pequeno compartimento em sua barriga e retira um punhal preto.
Marcelo Tavares – (assustado) Isso só pode ser brincadeira de mau gosto.
Marcelo continua disparando tiros, enquanto o “Fofão” arremessa seu punhal, atingindo em cheio a cabeça de Marcelo. Dentro do carro, Luzia apenas grita e chora.
A Supremacia X
Parte 1
Lenda Urbana
# UNICAP.
Gil Garcia – Galera, vocês souberem do que aconteceu ontem na Lagoa do Araçá?
Maria Eva – Ah, não, Gil! Lá vem você de novo com essas histórias.
X-Girl – O que foi? Eu tô por fora.
Gil Garcia – Alguém fantasiado de Fofão matou um cara ontem à noite.
Pablo Basílio – Peraí! Fofão? Aquele boneco bochechudo?
Gil Garcia – Pois é! E segundo a única testemunha, o Fofão matou o cara com um punhal que tirou da barriga.
X-Girl – Putz! Sinistro! Igualzinho à lenda urbana.
Maria Eva – Pô, Gil! Tá na cara que é algum doente pervertido que fez isso! Sair de casa vestido de Fofão e ficar na espreita de casais dando uns amassos no carro.
Gil Garcia – O cara que morreu, Marcelo Tavares, e a Luzia Marques eram amantes. A polícia acha que foi crime intencional. Ou o namorado dela ou a namorada dele.
Pablo Basílio – Dor de corno é horrível! (gargalha).
Gil Garcia – Mas aí que tá! Os dois têm excelentes álibis. O namorado de Luzia estava assistindo aula aqui na faculdade numa sala com trinta alunos. E a namorada do Marcelo estava numa festa de aniversário da sobrinha.
X-Girl – Isso não quer dizer nada. Se um deles foi o assassino, pode ter contratado alguém para fazer o trabalho sujo.
Gil Garcia – (sorrindo) Por isso que a gente tem que investigar!
Maria Eva – Maninho, Pelo Amor de Deus, pára de se envolver com essas coisas! Deixa pra polícia!
Gil Garcia – Sou um jornalista, Eva! Tenho que descobrir a verdade! Liz, você tá comigo?
X-Girl – (sorrindo) Um pouco de aventura nunca é demais.
Maria Eva – Fala sério, Liz! E você fica encorajando ele!
Pablo Basílio – Ah, mas dessa vez é até engraçado! Um Fofão matando por aí! (gargalha) Quero fazer parte dessa investigação também.
Maria Eva – Meu Deus! Vou sair daqui antes que vocês me convençam. (saindo).
# Biblioteca...
X-Girl – Então, o que sabemos sobre o caso?
Pablo Basílio – Marcelo Tavares era um policial civil e noivo de Juliana Azevedo. Juliana, por sua vez, é amiga de Luzia Marques desde os seis anos de idade. Detalhe: Luzia e Marcelo são amantes há dois anos. Luzia namora Emanuel Clóvis, um pacato bibliotecário.
Gil Garcia – Emanuel Clóvis é um excelente aluno, sempre boas notas, faz trabalho comunitário em vários hospitais e é evangélico.
Pablo Basílio – Parece ser o mais inocente de todos, né?
X-Girl – (olhando um site no computador) Pois é. E além de todas essas qualidades, ele tem um blog sobre “lendas urbanas”.
Gil Garcia – Pronto! Agora só falta ele ter um bonequinho do Fofão na cama.
# Sala do quinto período de Publicidade da UNICAP...
Emanuel Clóvis – Eu já disse tudo o que sabia para a polícia. Deixem-me em paz.
Gil Garcia – É, mas isso é pro jornal da faculdade. O que tem a dizer sobre seu blog?
Emanuel Clóvis – É um simples blog, oras! Será que você não entende que esse é o crime perfeito? Quem quer que tenha matado o Marcelo Tavares, usou uma lenda urbana para me incriminar e tirar as suspeitas do verdadeiro assassino! Agora com licença! Tenho aula pra assistir no terceiro período! (saindo).
X-Girl – É, por um lado ele tem razão...
Pablo Basílio – (chegando) Aí, Turma Scooby! Sabe qual a maior das coincidências? Marcelo Tavares morava no seu prédio, Liz!
X-Girl – É mesmo? Eu nunca o vi! Se bem que tem tanta gente lá que eu nunca vi...
Pablo Basílio – Quem sabe lá possa ter alguma pista? A Luzia disse que ia constantemente pro apartamento dele. Talvez o porteiro ou alguém saiba se um dos cornos viu o casal de amantes juntos lá!
Gil Garcia – É uma possibilidade! Vamos nessa!
X-Girl – Pô, gente! Eu tenho médico marcado agora! Mas podem ir lá! Falem com o Seu Silveira do 402! Ele sabe da vida de todo mundo lá.
Gil Garcia – Beleza, Lizzie!
# UNICAP. Banheiro masculino.
Emanuel Clóvis está sozinho no banheiro. Ele retira de seu bolso um cigarro de maconha e começa a fumar, resmungando.
Emanuel Clóvis – Já não basta ser o corno oficial da faculdade, agora querem que eu seja um assassino fetichista pelo Fofão! Fala sério!
De repente, ele escuta o barulho de uma descarga.
Emanuel Clóvis – (assustado) Tem alguém aí? Eu podia jurar que estava sozinho...
Emanuel olha para dentro dos banheiros e não encontra ninguém. Até que, subitamente, ele vê alguém trajando um longo vestido branco manchado de sangue, longos cabelos loiros e uma máscara tapando todo o rosto. Emanuel dá um desesperador grito, até que a “loira” corta o pescoço dele com uma navalha. Rapidamente, dois rapazes que estavam passando pelo corredor entram no banheiro e vêem a cena. A “loira” corre a vai embora, atravessando as paredes, enquanto Emanuel sangra até a morte.
# O dia seguinte...
Maria Eva – Caraca, agora eu tenho que assumir: isso é realmente muito estranho. Primeiro o Fofão, agora a “loira do banheiro”. Daqui a pouco a Xuxa vai aparecer aqui pra cantar músicas de trás pra frente e matar mais alguém.
Gil Garcia – Tô dizendo! Esses assassinatos são muito estranhos! E agora, o principal suspeito foi morto.
X-Girl – Pois é. Isso não tá me cheirando bem.
Pablo Basílio – O mais estranho foram as testemunhas dizerem que a tal “loira” fugiu atravessando as paredes do banheiro como um fantasma.
X-Girl – (espantada) Como é que é?
Pablo Basílio – Pois é! Agora tá todo mundo achando que foi realmente um fantasma!
Gil Garcia – Fala sério! Tá na cara que é um mutante! Na Legião X tinha uma menina que fazia isso, lembram? Aquela que morreu!
Maria Eva – Bem, já se passaram dois dias e duas pessoas morreram. O amante e o corno. É melhor as duas meninas lá ficarem ligadas, senão podem ser as próximas.
Pablo Basílio – Será que é um serial killer justiceiro dos cornos? Mas por que ele mataria o cara traído? Isso é muito estranho mesmo.
X-Girl – (pensativa) Sim. Muito estranho...
# Praça Chora Menino. Av. Conde da Boa Vista. Recife – PE. 22h45min.
Luzia Marques está sentada na Praça Chora Menino enquanto fala ao celular com sua mãe.
Luzia Marques – Eu sei que errei, mãe. Eu sei. Mas não tenho nada a ver com a morte do Emanuel!
Manoela Marques – Eu não estou dizendo isso, minha filha. Mas se você souber de alguma coisa, deve falar com a polícia!
Luzia Marques – Ah, mãe! Quer saber? Eu vou é encher a cara aqui no Bar do Lulinha e pronto! Tenho que esquecer isso tudo!
De repente, Luzia começa a escutar um choro de criança. Ela olha para os lados e não vê ninguém.
Manoela Marques – Alô? Luiza? Onde você está? Tem alguma criança aí?
Luzia Marques – (assustada) Vo-você também está ouvindo isso, mamãe?
Manoela Marques – O que foi? Por que está nervosa?
De repente, Luzia é surpreendida por uma faca que surge flutuando no ar e é cravada em suas costas. Ela grita de dor e larga o celular no chão, tombando morta logo em seguida.
Manoela Marques – Alô? Luzia? Que grito foi esse? Luzia? Alô?
# O dia seguinte...
Gil Garcia – (mostrando o jornal pros amigos) Luzia Marques está morta!
Maria Eva – (espantada) Sério? Como?
Pablo Basílio – Segundo a mãe, que estava no telefone com ela no momento da morte, ela ouviu um choro de criança momentos antes de ser esfaqueada pelas costas.
Maria Eva – (lendo o jornal) Putz! Foi na Praça Chora Menino!
X-Girl – O que tem essa praça?
Gil Garcia – No bairro da Boa Vista, centro do Recife, fica a Praça Chora Menino. Ela é hoje uma simples confluência de vias. Mas sua fama e nome datam do século XIX. No ano de 1831, Recife enfrentou a revolta violenta de uma tropa insubordinada que tinha como obrigação a guarda do lugar. Soldados e civis a ela associados saquearam a cidade, cometendo todo tipo de atrocidades e assassinando centenas de moradores, entre eles muitas crianças. Essa revolta ficou conhecida como Setembrizada. As ruas ficaram repletas de corpos, e muitos deles foram enterrados no local onde hoje fica a Praça Chora Menino. O nome vem de relatos que começaram a circular tempos depois da Setembrizada: dizia-se que quem passasse altas horas da noite perto da praça ouvia sempre choro de menino. Certamente tentou-se dar explicações "científicas" para o fato, de brincadeiras de estudantes a um tipo de sapo cujo coaxar seria semelhante ao choro de uma criança. Mas quem ouviu o estranho lamento nega-se a aceitar tais teorias tão pouco consistentes: o pranto fantasmagórico, por certo, não tem semelhança com sons emitidos pelos viventes.
Pablo Basílio – Sinistro, hein?
Maria Eva – E agora só resta uma: a Juliana Azevedo. Por vias das dúvidas, ela está sendo vigiada 24 horas por dia e tem sete seguranças no pé dela.
X-Girl – Juliana Azevedo... Juliana Azevedo... Espere um minuto! Eva, ela pagou uma cadeira com a gente no primeiro período lembra? Fizemos até um trabalho juntas.
Maria Eva – É verdade! Nossa, que mundo pequeno, hein?
X-Girl – (desconfiada) Pequeno até demais.
# Apartamento de Juliana Azevedo. 17h14min.
Delegado Cintra – (...) Fique calma, Juliana! Tudo vai acabar bem.
Juliana Azevedo – (gritando) Acabar bem? Meu noivo, minha ex-amiga e o namorado dela foram mortos! E desse “quadrado amoroso” apenas eu restei! Cada um deles morreu um dia após o outro! E hoje é o quarto dia! Meu dia!
Agente Túlio – Não vai acontecer nada com você! Estamos aqui e não sairemos do seu lado para nada.
O Agente Claudionor vai até a cozinha e volta com uma coca-cola.
Agente Claudionor – Alguém tá com sede?
Juliana Azevedo – Onde você encontrou essa coca?
Agente Claudionor – Tava lá na geladeira.
Juliana Azevedo – (assustada) Eu não bebo refrigerante.
Delegado Cintra – Claudionor, jogue essa coca-cola pela janela! Agora!
Agente Claudionor – Calma, chefe! É só uma coca-cola.
De repente, a coca-cola começa a espumar e explode na sala, destruindo tudo e deixando todos inconscientes. Subitamente, alguém se aproxima de Juliana Azevedo e crava uma faca em seu coração, matando-a.
# O dia seguinte...
Maria Eva – (chegando) Galera, galera! Vocês souberam da Juliana Azevedo?
Gil Garcia – (sorrindo) Ora, ora, ora! E não era você que me criticava pela obsessão com esses casos, maninha?
Maria Eva – Ah, mas esse é muuuito sinistro! O assassino usou uma bomba de coca-cola com Menthos e deixou todo mundo inconsciente. Aí depois matou a Juliana!
X-Girl – Os quatro morreram?
Pablo Basílio – Mas então quem será que os matou? Alguém de uma igreja que não perdoa infidelidade e quis eliminar todos os envolvidos?
Maria Eva – Sei não, mas parece que as autoridades encontraram o assassino!
Gil Garcia – Sério? Quem é?
Maria Eva – Não disseram, mas parece que alguém aqui da UNICAP!
De repente, surgem vários agentes federais e se aproximam dos quatro estudantes.
Agente Victor – Srta. Elizabeth Pryde, por favor venha conosco.
X-Girl – (assustada) O que está acontecendo?
Agente Victor – Você está sendo acusado de quatro homicídios.
Maria Eva – Isso é um absurdo! A Liz não seria capaz de fazer isso!
Gil Garcia – É isso aí, cara! Daqui a Liz só sai com advogado! Nós a conhecemos e sabemos que ela nunca mataria nem uma mosca!
Agente Victor – Não, vocês não a conhecem. Porque além da acusação de homicídio, a “Srta. Pryde” é procurada por falsidade ideológica.
Gil Garcia – (espantado) O quê?
Agente Victor – (sorrindo) Ao que parece, a “Srta Pryde” não é quem ela diz ser...
Na próxima edição: X-Girl acabou sendo responsabilizada por uma série de assassinatos e teve sua identidade revelada! Entretanto, o verdadeiro assassino entra em cena para mudar drasticamente o rumo da história!
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