quinta-feira, 26 de março de 2009

Legião X # 21 [OS OUTROS - 5 de 8]



X-Boy, um popstar com poderes energéticos, James Howlett, um jovem rebelde com garras de ossos retráteis e fator de cura, X-Girl, uma garota com o poder da intangibilidade e invisibilidade, Witch-X, uma poderosa e sexy feiticeira, e LeoSpidey, um garoto com poderes aracnídeos. Juntos eles formam a Legião X, um grupo de jovens super-heróis.

Anteriormente em Legião X...

Meses atrás, o satélite da UCM começou a receber vários sinais do espaço que diziam que novas expedições serão enviadas à Terra. Subitamente uma gigantesca nave alienígena surge em São Paulo e destrói o prédio da UCM, entretanto, abduz todos os que estavam em seu interior antes da explosão. Dentro da nave-mãe, Lord Frost fica cara a cara com a Imperatriz Rapina e descobre que ela está fazendo experiências com mutantes e criando um exército de super-seres, e Polaris foi a primeira vítima. James Howlett, X-Boy e Matt Murdock estavam fora da UCM na hora da explosão e planejam um contra-ataque aos aliens, e enquanto ajudam os inocentes nas ruas de São Paulo, acabam recebendo a inesperada ajuda dos heróis da Corja. Paralelo a isso, praticamente todo o Nordeste brasileiro fica às escuras devido à um misterioso pulso eletromagnético e o Centro de Reabilitação Mutante vira um caos! LeoSpidey enfrenta o insano Ken Masters e só não é morto pelo vilão graças à intervenção de Destrutor. O pânico se espalha por todo mundo, e as principais nações já se mobilizam para se defender contra a invasão alien. No México, uma jovem chamada Paulina Martin é abduzida por Sunspot, ao mesmo tempo em que a mansão do milionário pistoleiro El Portilho é totalmente destruída pelo ataque alien. Na Suécia, as tropas da UCM Européia tentam ganhar tempo contra uma das naves-mãe, enquanto o Dr Alex Kennedy continua na criação de mísseis de adamantium capazes de detonar as naves. Paralelo a tudo isso, NY vira um verdadeiro campo de batalha devido ao ataque alienígena. No meio da destruição, o mutante Eric Tuf salva uma jovem garotinha da morte certa, e acaba conseguindo uma vaga em um barco clandestino que está saindo dos EUA com destino ao Brasil.
Eles sempre estiveram entre nós...


# São Paulo – SP. 15 de Abril de 1952. 17h52min.

Mateus Figueiredo está sentado em seu escritório. O advogado está atolado de serviço. Seu sócio, Valter Nelson, entra no recinto.

Valter Nelson – Ainda aqui, Mateus? Vamos encerrar por hoje, velho amigo!

Mateus Figueiredo – Não sei, Valter... Tem tanta coisa pra resolver aqui. O caso da viúva Rivera está acumulado há meses...

Valter Nelson – Deixa quieto, Mateus! Amanhã a gente resolve isso! Que tal ir “se divertir”?

Mateus Figueiredo – Ah, Nelson... Você não tá pensando em voltar lá de novo, está? É ilegal!

Valter Nelson – É uma casa de diversão como qualquer outra, Matt!

Mateus Figueiredo – É uma casa de mutantes! Você sabe muito bem o que o governo acha sobre os mutantes!

Valter Nelson – Você não sabe de nada, Matt! Vários aristocratas são clientes assíduos do Consuelo Bar! Grandes políticos vivem lá! A Srta Consuelo é muito influente na sociedade.

Mateus Figueiredo – Se é que ela é “senhorita”, não é?

Valter Nelson – Vamos lá, Matt! Você vai se divertir! Prometo! Depois a gente inventa um desculpa pra Karen...

# Consuelo Bar. 18h23min.

Valter e Mateus estão sentados numa mesa de bar, enquanto um show de transmorfas acontece no palco. Mariano Leite, um capitão da marinha, senta-se na mesa com eles.

Valter Nelson – Mariano? Há quanto tempo, velho amigo? Quando chegaste?

Mariano Leite – Há algumas horas, Nelson. Alojei-me no Hotel Premium e vim direto matar a saudade do Consuelo Bar. Um homem do mar também tem necessidades. (gargalha) E quanto a vocês? Sempre vêm aqui?

Valter Nelson – De vez em quando. O Figueiredo é meio receoso. (gargalha) Teme que a esposa descubra.

Mariano Leite – Não se preocupe, meu jovem. Aqui é sigilo absoluto. Vários homens influentes são clientes VIPs daqui. Não é à toa que o Consuelo Bar funciona há quarenta anos.

Mateus Figueiredo – Quarenta anos? E a “dona” é sempre a mesma?

Mariano Leite – Em tese, sim. Há uma lenda urbana que diz que a “Consuelo” é mais de uma pessoa. Dizem que a “identidade” dela vai passando de geração para geração. Então, não é de se surpreender se daqui a cinqüenta anos ainda existir um Consuelo Bar com a mesma Consuelo como chefe. Há várias pessoas por trás da identidade de Consuelo.

Mateus Figueiredo – Fascinante.

Mariano Leite – O mundo mutante é fascinante, Sr Figueiredo. Há um leque de oportunidades para essas novas criaturas! Pense só no bem que eles poderiam fazer pela humanidade!

Mateus Figueiredo – Estou surpreso com o seu ponto de vista, Capitão Leite. Muitas pessoas que conheço simplesmente abominam os mutantes. Interessante o senhor achar que eles podem se enquadrar na sociedade e fazer o bem pela humanidade.

Mariano Leite – Oh, não me entenda mal, Sr Figueiredo. Eu não disse que aprecio os mutantes, muito menos que eles devem se enquadrar na sociedade. Só acho que podem ser bastante úteis para nós, humanos normais. Vários desses mutunas podem voar, correr, teleportar-se... Imaginem a utilidade deles para as Forças Armadas! Podíamos usá-los como “agentes especiais” para missões mais perigosas, das quais um homem comum não seria capaz de desempenhar. Poderíamos estudá-los, e fazer experiências com eles a fim de descobrir a cura para doenças! Entende o que eu digo, Sr Figueiredo? Enquanto os outros querem fechar as portas para os mutantes, eu os ofereço uma chance em nosso mundo!

Mateus Figueiredo – Oferece uma chance como escravos e ratos de laboratório?

Mariano Leite – Você está levando muito ao pé da letra, rapaz...

Consuelo – (chegando) Olá, rapazes! Querem alguém em especial hoje?

Mariano Leite – O de sempre, Consuelo.

# Algumas horas depois...

Mateus Figueiredo volta para casa. Sua esposa está esperando na sala. Ele abre a porta lentamente e dá de cara com ela.

Karen Figueiredo – Onde estava até essa hora, Matt?

Mateus Figueiredo – Estava trabalhando no caso da viúva Rivera, meu bem. Você sabe que é complicado...

Karen Figueiredo – E por que não atendeu o telefone? Liguei várias vezes!

Mateus Figueiredo – Me concentrei tanto com o caso que nem ouvi o telefone...

Karen Figueiredo – Suas desculpas estão cada vez piores, Mateus!

Mateus Figueiredo – Bah! Acredite se quiser, Karen. Eu vou tomar um banho...

# Enquanto isso, no Consuelo Bar...

Valter Nelson e o Cap. Mariano Leite continuam bebendo e conversando.

Mariano Leite – ... E os mutantes só servem para isso, Nelson! Eles deviam ser presos numa espécie de ilha, onde serviriam como “banco de órgãos” para os humanos normais. Então, quando alguém precisasse de um rim, coração ou fígado, era só pegar de algum mutante!

Valter Nelson – Isso não seria contra os direitos humanos, Capitão?

Mariano Leite – (bebendo mais uma cerveja) Os mutantes não são humanos, Nelson. (levantando-se) Agora, com licença. Vou me divertir com alguma transmorfa.

O Capitão começa a conversar com uma bela loira dos cabelos ondulados.

Teka – Que tal irmos para outro lugar, capitão? O Consuelo Bar é sempre tão lotado...

Mariano Leite – Tem razão. E ninguém saberá que você é uma mutante, não é? Afinal, até se parece com um de nós...

Teka – (sorrindo) Exatamente.

Os dois andam pelas ruas escuras de São Paulo. O Capitão já está totalmente embriagado.

Mariano Leite – Onde é esse lugar tão especial, garota? Não chega nunca?

Teka – Estamos quase lá. Minhas “amigas” estão nos esperando. (pausa) Então, capitão, quer dizer que o senhor quer fazer dos mutantes uns ratos de laboratório?

Mariano Leite – Oh, meu bem. Mas não se preocupe. Vocês, transmorfos, tem mais serventia no Consuelo Bar.

Os dois param num beco escuro.

Teka – Chegamos.

Mariano Leite – É isso? Um beco escuro e imundo? E onde estão suas amigas?

Teka – (olhando pra cima) Elas chegaram...

Subitamente, uma pequena nave alienígena paira no céu, e três seres surgem. Eles têm olhos amarelados, a pele acinzentada e trajam túnicas roxas. O Capitão fica assustado, olha para Teka e a vê transformar-se num dos seres.

Mariano Leite – O que... O que são vocês?

Teka – Não importa que somos, Capitão. Mas sim o que você é: nosso rato de laboratório.

A nave começa a brilhar e, em questão de segundos, os quatro aliens e o Cap. Mariano Leite desaparecem.

# Casa dos Figueiredo.

Mateus está tomando banho, enquanto sua esposa, Karen está ao telefone chorando.

Karen – Isso mesmo, Mila! O Matt chegou tarde de novo em casa, com bafo de cerveja e perfume de mulher por toda a roupa! Toda sexta-feira é isso! Já não agüento mais!

Enquanto isso, no chuveiro, Mateus continua em seu banho até que vê um enorme clarão lá fora. Ele abre a janela e presencia uma nave alienígena voando no céu. Ele fica boquiaberto, enrola-se numa toalha e vai até a sala.

Mateus Figueiredo – Karen! Vá para o quarto! Esconda-se lá!

Karen Figueiredo – (gritando) O que foi? Sua amante tá chegando é? Você tem a cara-de-pau de trazê-la pra cá?

Mateus Figueiredo – Não discuta! Vá pro quarto já!

De repente, toda a sala é iluminada por um enorme clarão. Mateus abraça a esposa.

Karen Figueiredo – Mateus? O... O que é isso?

Mateus Figueiredo – Eu não sei, meu amor. Eu não sei...

O clarão ilumina toda a sala, e, quando cessa, o casal já não está mais em casa...

# Nesta noite, mais cinco pessoas desapareceram misteriosamente. As autoridades fizeram de tudo para solucionar esse mistério, mas nunca encontraram uma resposta. Várias testemunhas afirmaram terem visto naves espaciais, mas o governo desmentiu e inventou alguma outra história para ser divulgada pela imprensa. Alguns diziam que o governo sabia mais do que divulgava. Com certeza, isso era verdade...

# Hoje. Dentro da nave-mãe que está em São Paulo...

Guilherme Madrox está deitado e amarrado em uma cama. Três aliens estão ao seu redor. Madrox está inconsciente desde que foi abduzido. Ele tem sofrido testes desde então. Rasparam sua cabeça e implantaram em seu cérebro pequenos organismos vivos que servem como uma espécie de chip de computador, permitindo aos aliens estudarem a mente de Madrox.

Míssil – Como estamos? Algum progresso?

Zarg – Os zimotecs ainda estão agindo no cérebro do humano. O processo é lento, mas logo teremos um resultado concreto. Até o momento conseguimos o acesso às emoções dele. Estamos estudando-as. É bastante interessante!

Míssil – (saindo da sala) Quero resultados, Zarg! Continuem com os estudos!

Os aliens continuam estudando a mente de Madrox. Eles analisam suas emoções, seus sentimentos, sua motivação. Eles tentam entender como a mente humana trabalha. Os mistérios e segredos da mente humana. Medo. Raiva. Amor. Ódio. Compaixão. Alegria. Será possível manipular essas emoções? Será possível formar uma nova personalidade psicológica?

Enquanto isso, Míssil dirige-se até o laboratório onde um humano está preso em uma cápsula. Na “mesa de cirurgia” estão Lord Frost da UCM e um outro mutante de nome John capaz de manipular o fogo.

Míssil – Melman, como será esse novo soldado?

Melman – Oh, General! Vai ser fantástico! Ele poderá gerar fogo e gelo! Será invencível!

Míssil – (olhando para Míssil e John) Essas são as matérias-primas?

Melman – Sim, General! Ambos possuem uma genética maravilhosa! O homem de gelo, principalmente! O senhor não imagina a extensão de seus poderes! Estou apenas esperando Vinix chegar com o material cirúrgico.

Míssil – Quantos soldados já temos, Melman?

Melman – Onze, General.

Míssil – Excelente! Logo nossos inimigos vão sentir a ira de Cabalyst!

Enquanto isso, em uma outra sala, estão presas Witch-X, X-Girl e Polaris.

X-Girl – Oh, Meu Deus! A Polaris tá acordando! Polaris? Você tá me ouvindo?

Polaris – (bastante fraca) Liz? O que... o que fizeram comigo? Eu me sinto tão... fraca.

X-Girl – Ela está viva, Rafa!

Witch-X – É. Eu tô vendo.

X-Girl – Rafa, você quase não abriu a boca desde que fomos capturadas. Parece tão calma...

Witch-X – Não há motivo para pânico, Elizângela.

X-Girl – Hein? Não há? Fomos abduzidos por aliens, a Terra tá sendo atacada, estão fazendo experiências com a gente e você diz que não há motivo para pânico? O que é que tá pegando, Rafa?

Witch-X – Seja paciente. Tudo vai acabar bem...

# Em algum lugar do Brasil...

Destrutor saiu de Natal e está voando em direção à São Paulo com o objetivo de ajudar os heróis contra a ameaça alien. Subitamente, enquanto voa, Destrutor sente uma tremenda dor de cabeça. Uma agonia toma conta de sua mente. Ele sente-se tonto, impaciente e falta de ar. De repente, ele começa a voar meio que sem rumo, como um pássaro cego. Ele sente tontura. Pensa que vai desmaiar.

Destrutor – Meu Deus! O que está acontecendo comigo? Preciso pousar!

Entretanto, antes que o herói possa aterrissar em algum lugar, ele começa a cair do céu. Seus poderes simplesmente falharam. Ele não consegue mais voar. Desesperado, o herói tenta de tudo para evitar a queda, mas é em vão. Destrutor cai no meio do Oceano Atlântico.

# A mente de Madrox...

Uma enorme sala branca. Essa é a mente de Madrox agora. Uma enorme e vazia sala branca. Ele anda sozinho, buscando algo ou alguém.

Gui Madrox – (gritando) Alooww? Alguém? Qualquer um! Tem alguém por aqui?

Ninguém responde. Madrox continua andando sozinho. Ele sente frio. Um arrepio na nuca.

Gui Madrox – O que... O que eu procuro? Quem? Minha mente está tão confusa...

De repente, Madrox encontra um homem sentado num canto de uma parede. Ele está todo coberto com um enorme manto, e um capuz cobre praticamente todo o seu rosto.

Gui Madrox – Você! Quem é você? Pode me ajudar a... a entender?

O Estranho – O que você quer entender?

Gui Madrox – Onde estão os outros? Por que não lembro de ninguém? Por que tenho que caminhar sozinho?

O Estranho – (um sarcástico sorriso esconde-se por baixo do capuz) Você não está sozinho. Sua sombra caminha ao seu lado.

Gui Madrox – Minha... sombra? Por que ela é a única que me acompanha?

O Estranho – Você procura alguém para andar ao seu lado, não é mesmo, Madrox? Mas até você encontrar essa pessoa, terá que andar sozinho. Mas mesmo estando sozinho, você não está sozinho.

Gui Madrox – Não entendi!? Olhe ao seu redor! Estou dentro de uma infinita sala branca! Não vejo onde é o início! Não vejo onde é o fim! E estou só! Apenas eu estou aqui! Quer dizer... você está aqui... Mas...

O Estranho – (sorrindo) Exatamente. Eu estou aqui, Madrox, mas você continua sozinho.

Madrox olha para os lados e, de repente, surgem vários “Madroxs”, cada um diferente do outro. “Estamos com você, Guilherme. Você não está mais sozinho”, eles dizem. Os vários “Madroxs” começam a agarrar Madrox, abraçando-o e sufocando-o. Ele grita para o estranho que continua sentado:

Gui Madrox – Não! Me ajude! Me tire daqui.

O estranho continua sentado. Madrox consegue escapar da multidão e corre em direção ao estranho. “Me tira daqui”, Madrox diz. Ele puxa o capuz do estranho, deixando o rosto descoberto.

Gui Madrox – (espantado) Não! Você... você também sou eu!

O Estranho – (esmurrando Madrox) Está na hora de assumir o controle, Madrox.

# No “mundo real”...

Gui Madrox continua deitado na cama. Os aliens estão ao seu redor. Então, de repente, Madrox desperta.

Zarg – (sorrindo) Contate o General Míssil. Diga-lhe que a experiência foi um sucesso!

Na próxima edição: Os mutantes contra-atacam!

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