Após o motim que desestabilizou a UCM, X-Boy forja a morte de X-Girl e cria uma nova identidade para protegê-la. Isso aconteceu oito meses atrás. Hoje, com o falso nome de Elizabeth Pryde, a ex-X-Girl tem uma nova e pacata vida na cidade do Recife, em Pernambuco, onde é apenas uma universitária comum e sem poderes.
# Bar do Pesqueiro. Praia de Calhetas. Ipojuca – PE.
Gil Garcia está bebendo um suco de manga. Ele já está há mais ou menos meia hora esperando que Juba, seu sumido amigo de infância, apareça com novidades sobre o caso “Pupila Rubi”. Gil não sabe, mas X-Girl está o observando de longe, invisível. Então, um jovem dos cabelos encaracolados e com pinta de surfista senta numa cadeira próxima a Gil.
Juba – E aí, Gilberto. Há quanto tempo, hein?
Gil Garcia – Juba? Cara, como você cresceu! Você sempre foi mais baixinho que eu e o Victor.
Juba – (risos) Os anos foram bons comigo, Gil.
Gil Garcia – Cara, por onde você esteve durante todos esses anos? Acho que a última que te vi foi... (pausa, e entristecendo-se) foi no enterro do meu pai.
Juba – Meu pai me afastou do meu tio depois que descobriu os verdadeiros fins do seu clube acadêmico. Como você deve se lembrar, meu tio Mariano Figueiredo fazia parte do clube juntamente com seu pai Alberto Nogueira, Francisco Brasa, Túlio Martins e Daniel Trajano e Adriano Barros, os pais do Victor e da Lea, respectivamente.
Gil Garcia – (espantado) Então seu pai descobriu já naquela época o que era o “Pupila Rubi”?
Juba – Exato. Ele e meu tio discutiram, e por isso nunca mais o visitei e nem fui com vocês para o Acampamento Trajano.
Gil Garcia – E então? O que é o Pupila Rubi?
Juba – (olhando para os lados e levantando-se) Você espera só mais um pouco. Acho que está faltando alguém nessa nossa reunião.
Juba levanta-se e sai andando pelo Bar até que fica diante da invisível X-Girl.
Juba – Não adianta se esconder de mim, garota. Eu sei que está aí.
X-Girl fica espantada, mas não fala nada. Rapidamente, ela fica intangível para evitar que Juba a toque e veja que ela realmente está ali.
Juba – Você é Elizabeth Pryde, não é? A amiguinha do Gil. Garota, você tem cinco segundos para ficar visível ou seu amiguinho vai pagar caro pela sua intromissão.
X-Girl fica visível.
Juba – Não precisa se assustar. Eu nunca faria mal ao Gil. (sorrindo) Ele é um dos mocinhos. Mas você parece estar bastante envolvida nisso tudo também, né?
X-Girl – Só estou ajudando meu amigo a acertar suas contas com o passado.
Juba – Quando eu pedi para o Gil vir sozinho, eu sabia que você viria atrás dele. Exatamente como fez lá no Acampamento Trajano e roubou os arquivos da Pupila Rubi. (sorrindo) Sim, eu sei disso tudo. Tenho vários contatos, Srta. Pryde.
X-Girl – Como você me viu enquanto eu estava invisível?
Juba – (sorrindo) Eu sou um mutante. Minha visão não é como a de vocês. Eu vejo além. Mesmo invisível, eu posso te detectar. Era como se eu tivesse um sensor de presença e você o disparasse. Sabe aqueles hotéis que quando você passa pelo corredor as luzes se acendem? É mais ou menos assim. Nada e nem ninguém pode ficar fora do alcance de minha percepção.
X-Girl – (irônica) Uau, que poder da hora.
Juba – Então, já que está aqui, que tal se juntar a nós?
X-Girl – Vamos lá. Mas, olha, eu queria te pedir uma coisa. O Gil não sabe de meus poderes e...
Juba – Sossega, Srta. Pryde. Quanto menos gente souber de seu poder, melhor. (sorrindo) Você será nosso ás na manga.
X-Girl e Juba sentam-se juntamente com Gil Garcia.
Gil Garcia – Eu não acredito que você tá aqui, Liz! Eu mandei você ficar longe! Poderia ser perigoso!
X-Girl – E você é o quê? Meu pai? Estamos juntos nessa, Gil!
Juba – Gostei da namoradinha, Gil! (sorrindo) Ela tem personalidade.
Gil Garcia – (suspira) Podemos dar continuidade?
X-Girl – É isso aí. Afinal, que raios é o “Pupila Rubi”?
Juba – Uma rede de prostituição.
Renascimento
Parte 3
Pupila Rubi
Gil Garcia – (espantado) Peraí, peraí! Prostituição? Você tá falando sério?
Juba – Exato, Giba. Em maio de 1977, os professores universitários Francisco Brasa, Alberto Nogueira, Túlio Martins, Daniel Trajano, Adriano Barros e Mariano Figueiredo se uniram e criaram o projeto “Pupila Rubi” onde eles agenciavam suas alunas numa rede de prostituição.
Gil Garcia – (pasmo) Eu não acredito! Meu pai era um cafetão!
X-Girl – Mas como eles agiam? Por que seis professores conceituados iriam fazer isso?
Juba – Eles escolhiam suas garotas a dedo, seduziam suas alunas com promessas de muito dinheiro e uma vida de pompa e luxo. E de fato, foi isso que elas receberam. Todas as garotas do “Pupila Rubi” nadam em dinheiro. Várias delas moram em outros países.
X-Girl – Prostitutas de luxo.
Juba – Elas são mais que “prostitutas de luxo”, Pryde. As garotas do “Pupila Rubi” são conhecidas mundialmente pela alta sociedade. E não estou falando apenas de milionários e empresários de sucesso. Líderes mundiais, Presidentes, governantes... todos usufruíam dos prazeres do “Pupila Rubi”.
Gil Garcia – “Pupila Rubi”... Você disse que no começo, as garotas eram alunas dos professores, né? E segundo nossas investigações, cada garota recebia um anel de rubi ao entrar no “clube acadêmico”. Por isso o nome “Pupila Rubi”.
Juba – Exato, Gil. No começo era uma simples de rede de prostituição para executivos e empresários. A coisa foi se expandindo e tomou proporções globais, fazendo com os professores agenciassem suas pupilas para clientes internacionais. E hoje, eles negociam até o preço para a venda de suas pupilas.
X-Girl – (espantada) Peraí, como é que é? Além de agenciar a prostituição, eles realizam o tráfico de mulheres?
Gil Garcia – Meu Deus! Como é que meu pai entrou num negócio desses?
Juba – Mas ele queria sair, Gil. Por isso que ele morreu.
Gil Garcia – (espantado) Como é?
Juba – Seu pai se apaixonou por Eleonora Aragão, uma de suas alunas que também fazia parte do “Pupila Rubi”. Ela era sua babá, se lembra? Seu pai queria sair do “clube acadêmico” e levar Eleonora com ele. Ele iria se separar de sua mãe e assumir publicamente o romance com a babá. Os outros professores disseram que ele poderia sair na hora que quisesse, mas Eleonora seria uma Pupila Rubi para sempre. Revoltado, seu pai disse que se eles não deixassem Eleonora sair, ele iria revelar ao mundo toda a verdade sobre o “Pupila Rubi”. Desta forma, para proteger o segredo e os investimentos de anos, os cinco professores se uniram e tramaram o assassinato de seu pai, e ainda incriminaram Eleonora Aragão. Foi o plano perfeito.
Gil Garcia – (com lágrimas nos olhos) Não pode ser...
Juba – Recentemente, Francisco Brasa foi assassinado pelos seus outros companheiros para evitar que ele abrisse a boca pra você.
X-Girl – Restaram então Túlio Martins, Daniel Trajano, Adriano Barros e Mariano Figueiredo.
Gil Garcia – (espantado) Espera aí! A Lea! Ela...
Juba – Sim, a Lea, a nossa amiga de infância foi levada ao Pupila Rubi pelo próprio pai Adriano Barros quando ainda era uma adolescente menor de idade.
X-Girl – Isso é um absurdo! Essas pessoas têm que ser presas! Eles cometeram dois assassinatos, prostituem garotas, realizam o tráfico internacional de mulheres e ainda incentivam a pedofilia ao agenciarem menores de idade!
Juba – Três assassinatos, Liz. Meu tio, Mariano Figueiredo, assassinou meu pai anos atrás para proteger o segredo do “Pupila Rubi”. Desde então eu tenho investigado e reunido provas para incriminá-lo e vingar a morte de meu pai.
Gil Garcia – Já temos provas o suficiente?
Juba – Infelizmente não. As provas que tenho não são incriminadoras o suficiente. E mesmo se eles fossem presos, estariam soltos rapidamente com um habeas corpus qualquer.
Gil Garcia – (irritado) habeas corpus, habeas corpus... Hoje em dia arrumar um desses é mais rápido que preparar macarrão instantâneo.
Juba – Se nós tivéssemos pelo menos uma testemunha, alguma prova concreta...
X-Girl – Podemos continuar investigando! Talvez tenha algo mais lá no Acampamento Trajano...
Juba – Sinceramente, vocês são muito ruins como investigadores.
Gil Garcia – Que nada, cara! Somos melhores que o pessoal de Without a Trace, CSI e Cold Case juntos!
Juba – Bah! Estão mais pra Scooby Doo.
X-Girl – Meninos, depois a gente faz uma votação pra ver quem vai ser o Sherlock Holmes do mês, mas antes temos que nos concentrar nessa investigação.
Juba – Vocês vão mesmo entrar nessa?
Gil Garcia – Depois de tudo o que você falou? Claro, cara! Quero que esses sacanas paguem pela morte do meu pai! E não vou desistir até conseguir justiça!
# O dia seguinte, na faculdade...
X-Girl e Gil Garcia estão conversando quando Maria Eva, a irmã de Gil, chega e se senta próximo a eles. Rapidamente, os dois mudam de assunto.
Maria Eva – Putz! Que prova horrível essa! E eu estudei tanto!
X-Girl – Ah, mas a gente fez aquele trabalho, né? E ele pode ajudar na nota.
Maria Eva – Espero que sim, Liz!
Gil Garcia – (olhando o relógio) Bom, tá na hora da minha aula! Tchau, maninha! Tchau, Liz! Até mais! (indo embora)
Maria Eva – (sorrindo) Hummm. Você e meu irmão estão saindo muito juntos, hein?
X-Girl – Não é nada do que você está pensando, Eva. Somos só amigos.
Maria Eva – (risos) Seei.
Paula Queiroz – (chegando) E aê, meninas? Tudo bem? Gostaram da prova?
Maria Eva – Fala sério! Tava aqui falando com a Liz agora. Foi horrível.
Paula Queiroz – Ai, gente, sei não. Acho que nessa eu fico na final.
Maria Eva – (olhando para a mão de Paula) Paulinhaaa, menina de Deus! Que anel é esse?
Paula Queiroz – Ah, gostou? Foi presente.
X-Girl fica espantada ao perceber que se trata de um anel de rubi, exatamente como os que são utilizados pelas Pupilas Rubis.
X-Girl – Quem te deu esse anel, Paula?
Paula Queiroz – (sorrindo) Um admirador. Ganhei ontem à noite.
Maria Eva – Puxa, deve ter sido caro. É bom você tomar cuidado ao andar com esse anel por aqui. Recife tá tão perigoso...
Paula Queiroz – É, eu sei. Bom, meninas. Tenho que ir. A gente se vê depois. Até mais! (saindo)
Maria Eva – Caraca, que anel lindo aquele, né, Liz? Acho que era um rubi.
X-Girl – É... É... Deve ser...
Maria Eva – Que foi, Liz? Você ficou séria de repente.
X-Girl – É que eu lembrei de um assunto urgente agora e tenho que ir. Tchau, Eva. (saindo)
# Apartamento de X-Girl. Alguns minutos depois...
Gil Garcia – (espantado) A Paula?? Com um anel do “Pupila Rubi”?
X-Girl – Isso mesmo.E ela disse que recebeu ontem à noite.
Juba – Ela deve ter sido contratada como uma das novas Pupilas. O quão amigas vocês são?
X-Girl – Ela e a irmã do Gil são minhas melhores amigas. Estou pasma ao saber que ela entrou nessa!
Gil Garcia – A gente pode interrogar a Paula para saber mais sobre o Pupila Rubi. E talvez até convencê-la para ser nossa espiã!
X-Girl – (sorrindo) Eu tenho uma idéia melhor.
# Algumas hora depois, Gil Garcia está andando pelo calçadão da Praia de Boa Viagem enquanto fala ao celular com Juba.
Gil Garcia – (ao celular) Fala sério, Juba! Ainda acho esse plano muito arriscado! E se der errado?
Juba – (ao celular) Fica frio, cara! Vai dar tudo certo.
De repente, três homens abordam Gil, o espancam e o levam até um furgão preto. O celular fica no chão.
Juba – (ao celular) Gil? Gil? O que houve?
Gil Garcia – (dentro do furgão) Quem são vocês? O que querem comigo? Não tenho nenhum dinheiro aqui.
Túlio Martins – (sorrindo) Acalme-se, Gilberto. Quero apenas conversar.
Gil Garcia – (espantado) Professor Túlio Martins?
Túlio Martins – Eu mesmo, Gilberto. Então, que tal conversarmos sobre suas “atividades extracurriculares” pesquisando o “Pupila Rubi”?
# Apartamento de Paula Queiroz.
Paula Queiroz – Peraí, como é que é?
X-Girl – Isso mesmo que você ouviu, Paula. Eu quero fazer parte do Pupila Rubi.
Paula Queiroz – Pupila Rubi? Eu... Eu não sei o que é isso. Do que você tá falando?
X-Girl – (segurando a mão de Paula) Esse anel no seu dedo é o do “Pupila Rubi”. Eu sei disso. E quero fazer parte. Paula, não minta pra mim. Você é minha melhor amiga. Por favor...
Paula Queiroz – (suspira) Tá bom. É isso mesmo.
X-Girl – (sorrindo) Então, você pode me ajudar a fazer parte desse seleto “clube acadêmico”?
Na próxima edição: Infiltrada entre as garotas do “Pupila Rubi”, X-Girl começa a juntar provas para desmascarar os quatro professores desse “clube acadêmico”. Entretanto, verá que nem sempre o final esperado é realmente o final feliz. É a conclusão de “Renascimento”.
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