O invencível Cain Marko, o caçador de mitos Colossus, a ilusionista Vampira do Rock, a feiticeira Irmã Rubra, o dissimulado vampiro Murcegoso, a telepata Miss Insensível e a bruxa Witch-X. Com a missão de enfrentar os desafios do sobrenatural, eles formam a equipe mística da Legião X.
# Paris – França. 18 de julho de 1315.
Bispo Lucas – É um prazer recebê-lo em nossa congregação, Padre Corinus. Pena que em circunstâncias tão tristes.
Padre Francis Corinus – De fato a morte de meu irmão foi deveras trágica, mas agora ele está em um lugar melhor.
Bispo Lucas – O corpo de seu irmão será velado hoje à noite. As reformas da Igreja começam amanhã cedo, logo após o enterro dele.
Padre Francis Corinus – Como estão as noviças?
Bispo Lucas – As que sobreviveram estão em estado de choque e hospitalizadas. Apenas Alice Brumas está em sua casa, com ferimentos leves.
Padre Francis Corinus – Esses vampiros têm que ser caçados e eliminados, Bispo! A morte do meu irmão e de suas noviças foi uma prova de que eles não estão para brincadeira! Peço permissão para organizar uma equipe da Inquisição para caçá-los!
Bispo Lucas – Permissão concedida, Padre. Faça o que for preciso para detê-los.
# Enquanto isso, no outro cômodo, o Padre Marcelo Corinus continua deitado em seu caixão. Até que, de repente, ele acorda e levanta-se assustado.
Padre Marcelo Corinus – (ofegante) O que...? O que aconteceu comigo?
Origens
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Abrace-me, Beije-me, Mate-me
# Paris – França. 18 de julho de 1315.
Padre Francis Corinus – (espantado) Isso é impossível!
O Padre Francis Corinus, o Bispo Lucas e mais nove pessoas estão no quarto onde está o caixão de Marcelo Corinus. E todos estão espantados, pois o caixão continua lá, mas o corpo desapareceu.
Bispo Lucas – (revoltado) Isso é uma violação! Alguém sumiu com o corpo de Marcelo Corinus! Renée, entre em contato com o delegado. Quero que vasculhem toda a cidade!
Padre Francis Corinus – Quem seria capaz de cometer tal ato de crueldade?
# Mansão dos Brumas.
Irmã Alice Brumas – (espantada) Como é que é? O corpo do Padre Marcelo desapareceu?
Dante Leon – Sim, Irmã. E não temos idéia do que houve. Renée já contatou o delegado, e a polícia está investigando e vasculhando cada canto da cidade.
Irmã Alice Brumas – (revoltada) Mas isso é um absurdo! Como é que um cadáver simplesmente some assim do nada?
Dante Leon – Já estamos investigando, Irmã. Aliás, é por isso que vim aqui. Você tem alguma idéia de quem possa ter seqüestrado o corpo.
Irmã Alice Brumas – (suspirando, e com um ar de pensativa) Não...
# Mansão do Conde Wiron Van Kamp.
A Irmã Alice Brumas entra abruptamente na mansão do Conde, destruindo a porta com uma rajada energética.
Irmã Alice Brumas – (gritando) Van Kamp! (destruindo uma parede) Van Kamp, apareça!
Conde Wiron Van Kamp – (descendo as escadas) Usando os poderes em plena luz do dia? (sorrindo) Quer mesmo parar na fogueira da inquisição e se juntar com seu amado no além, não é mesmo?
A Irmã Alice Brumas ataca o Conde com uma rajada energética, mas ele a repele facilmente.
Irmã Alice Brumas – (gritando) Onde ele está? O que você fez com Marcelo?
Conde Wiron Van Kamp – Marcelo? Se não me falhe a memória, ele está morto, não?
Irmã Alice Brumas – (com ódio nos olhos) Não me venha com brincadeiras, Van Kamp! O corpo de Marcelo foi seqüestrado. Alguém o tirou de lá! E você é a única pessoa que me vem à mente.
Conde Wiron Van Kamp – (sorrindo) De fato, eu tenho algo a ver com isso. Mas uma coisa eu garanto: Marcelo Corinus não foi seqüestrado. Ninguém o tirou de lá. Ele apenas saiu.
Irmã Alice Brumas – Como assim?
Conde Wiron Van Kamp – (sorrindo) Você terá que ver com seus próprios olhos, Irmã. Agora se me der licença, tenho assuntos mais urgentes a tratar.
Com um gesto, o Conde expulsa a Irmã de sua mansão. Ela tenta voltar para dentro, mas uma espécie de campo de força envolve o local.
Conde Wiron Van Kamp – Chegará a hora em que iremos no encontrar de novo, Alice. E quando este momento chegar, espero que esteja preparada.
# À noite. Em um beco escuro no subúrbio de Paris...
Marcelo está deitado no chão. Ele agoniza de dor. Seu estômago dói. Sua cabeça está rodando e ele não consegue nem ficar em pé direito, pois logo tomba tonto. Sua garganta está seca. Ele sente sede. As mãos tremem. Seu corpo todo está encharcado de suor. E o coração? Coração? Que coração? Ele não o sente. Não está mais batendo. Como isso é possível? Ah, a dor! A dor é angustiante. Todo seu corpo dói. Seus olhos queimam como duas brasas ao fogo. Sua gengiva sangra. As mãos tremem cada vez mais e não há força nas pernas para se levantar do chão. Ele grita. Agoniza. Cai a chuva. Tempestade. E a dor aumenta cada vez mais. Ele se arrasta pelo chão e se abriga debaixo de um toldo para se proteger da chuva. De repente, ele sente como se seu corpo estivesse do avesso. Então, Marcelo dá um ensurdecedor e animalesco grito de gelar a alma. As enormes presas dão lugar aos pequenos dentes, e os outrora olhos verdes ficam avermelhados. Neste momento, Marcelo acabara de morrer e nasce o vampiro que um dia virá a se chamar Murcegoso.
# Dois dias depois. Igreja do Padre Francis Corinus.
Já é noite. O Padre Francis Corinus se prepara para dormir, quando a janela é aberta pelo vento. O Padre vai até lá e a fecha. Quando dá as costas para a janela, dá de cara com seu irmão, o ex-Padre Marcelo Corinus.
Padre Francis Corinus – (espantado) Marcelo!! Mas o que...?
Marcelo está sujo e mal vestido. Ele treme constantemente.
Marcelo Corinus – Francis... Oh, meu irmão. Ajude-me! (tombando no chão).
Padre Francis Corinus – (aproximando-se do irmão no chão) Marcelo! Por Deus, o que houve com você? (espantado) Você estava morto! Isso é um milagre!
Marcelo Corinus – (chorando) Não, irmão! Não é um milagre! E-eu fui amaldiçoado! Deus me rejeitou! Eu estava com Ele no Paraíso até que fui arrancado de lá. E quando acordei, estava deitado naquele caixão.
Padre Francis Corinus – O que houve, meu irmão? Conte-me para que possa ajudá-lo.
Marcelo Corinus – (chorando) Deus me castigou. (gritando e agonizando de dor) Você tem que me ajudar, irmão. (agonizando) E-eu não sei o que está acontecendo comigo!
Padre Francis Corinus – Acalme-se, Marcelo! Você precisa de um bom banho e alimento. Venha! Levante-se! Vou lhe ajudar.
Marcelo Corinus – (com uma voz mais grossa) Não! Eu não agüento! A dor... é demais para mim! (gritando).
De repente, Marcelo começa a se contorcer no chão, até que suas presas aparecem. O Padre Francis Corinus fica espantado e afasta-se.
Padre Francis Corinus – (espantado) Um vampiro! Você se tornou um vampiro!
Marcelo Corinus – (chorando) Ajude-me, irmão! Ajude-me! Por favor, eu suplico!
Padre Francis Corinus – (gritando) Afaste-se de mim, criatura nefasta!
Marcelo Corinus – (chorando) Francis, sou eu! Seu irmão! O Marcelo!
Padre Francis Corinus – (gritando) Não!
Rapidamente, o Padre joga água benta no vampiro, mas nada acontece.
Padre Francis Corinus – Saia daqui, vampiro imundo! (gritando) Saia daqui.
Marcelo Corinus – Francis...
Padre Francis Corinus – (pegando uma lança e gritando) Saia daqui!
O vampiro vai embora, quebrando uma janela e sai correndo pela rua.
# Cemitério...
A Irmã Alice Brumas está diante do túmulo onde seria enterrado o Padre Marcelo Corinus. Ela está aos prantos, até que alguém se aproxima dela.
Marcelo Corinus – (nas sombras) Alice...
Irmã Alice Brumas – (espantada) Marcelo! Oh... Oh Meu Deus! Marcelo, é você mesmo? (aproximando-se).
Marcelo Corinus – Não, Alice! Fique aí! Não se aproxime.
Irmã Alice Brumas – Por quê? O que houve com você, Marcelo? Pensei que estivesse morto.
Marcelo Corinus – Seria melhor ter ficado morto, Alice.
Irmã Alice Brumas – Do que está falando, Marcelo?
Alice se aproxima e fica espantada ao notar as presas de Marcelo.
Irmã Alice Brumas – (espantada) Você... Foi transformado em um vampiro.
Marcelo Corinus – Eu quero que você fuja daqui, Alice! Fuja! Não é mais seguro! (gritando e agonizando) Eu sou uma ameaça agora.
Irmã Alice Brumas – (chorando) Não, Marcelo. Nós... Nós podemos encontrar uma cura. Talvez...
Marcelo Corinus – (gritando) Não há cura pra mim. (correndo e indo embora).
Irmã Alice Brumas – (gritando) Marcelo! Marcelo!
# Cinco dias depois... (trecho retirado de “LX – Os Legionários” # 05):
Já é noite, quando Arthur Brumas reúne seus cavaleiros para caçar seu pai. Na Igreja, o Padre Francis Corinus arruma os últimos preparativos para a caçada, quando um velho conhecido entra no local. O homem está sujo, ferido, com as roupas rasgadas e com um olhar perdido e desorientado.
Padre Francis Corinus – (com um olhar de ódio) O que fazes aqui, criatura imunda?
Marcelo Corinus – (ofegante) Quero sua ajuda, padre! Quero seu perdão! (ajoelhando-se aos prantos) Eu suplico!
Francis Corinus – (chutando Marcelo) Saia daqui, criatura nefasta! Você não é digno desse lugar!
Marcelo Corinus – (aos prantos) Por favor, padre! Francis! E-eu não sei o que está acontecendo comigo! A dor é tão grande! E-eu sinto sede... sede de sangue! Uma sede incontrolável! Eu não sei o que é isso! Oh, Deus! Por que me castigaste assim? Que pecado tão horrendo eu cometi para ser punido assim?
Francis Corinus – (esmurrando Marcelo) Não ouse pronunciar o nome de Deus com sua boca imunda, vampiro nefasto!
Marcelo Corinus – (gritando) Não! Eu não sou um vampiro! Não posso ser! (aos prantos) Ajude-me, padre!
Francis Corinus – (com nojo) Você não passa de um vampiro imundo. Um morcego nojento e vadio. Um Murcegoso.
Marcelo Corinus – (gritando) Por Deus, Francis! Eu sou seu irmão! Ajude-me!
Francis Corinus – (gritando) Não! Marcelo Corinus era meu irmão e está morto! Quem está na minha frente é um vampiro imundo! (sufocando o pescoço de Marcelo) Eu devia matá-lo agora, mas tenho uma missão mais urgente agora. Mas quando eu voltar, e tiver o Livro do Armagedom nas mãos, você e todo tipo de mal será extinto! Para sempre! (largando Marcelo).
O Padre Francis Corinus vai embora, deixando o irmão aos prantos no chão da Igreja. Uma bela e jovem noviça aproxima-se dele.
Irmã Alice Brumas – (sentando-se no chão e acariciando a cabeça do vampiro) Oh, Marcelo, Marcelo. O que fizeram com você?
Marcelo Corinus – (aos prantos) Me desgraçaram, Irmã Alice! Eu morri e ressuscitei! Mas não como Cristo! Oh, Deus! Transformaram-me num monstro!
De repente, a Condessa Brumas entra abruptamente na Igreja.
Condessa Brumas – (ofegante) Alice! Alice! Oh, minha filha! Seu irmão está para fazer algo horrível!
Irmã Alice Brumas – O que foi, mamãe?
Condessa Brumas – Ele reuniu um exército de cavaleiros e foi atrás de seu pai juntamente com o Padre Francis Corinus e uma legião de seguidores da Inquisição!
Irmã Alice Brumas – Meu Deus! Arthur está cego pelo poder! Ele quer o Livro do Armagedom a qualquer custo! Tenho que fazer algo! (levantando-se) Marcelo, você tem que fugir daqui o quanto antes, pois uma guerra está para começar!
Condessa Brumas – (espantada) Marcelo? Marcelo Corinus? Mas disseram que você estava morto!
Marcelo Corinus – É complicado, Condessa.
Irmã Alice Brumas – Fuja, Marcelo! Vá para Londres e procure Valeska Torres. Ela irá encontrar uma cura para sua doença. Mamãe, temos que ir!
A noviça vai embora com a mãe, enquanto o vampiro olha para o Jesus Cristo na Igreja.
Marcelo Corinus – (aos prantos) Ajude-me, Cristo! Por favor, eu suplico! Liberte esse mal que está nascendo dentro de mim!
(Fim do trecho retirado de “LX – Os Legionários” # 05)
# Três dias depois. Londres – Inglaterra.
Marcelo chegou à cidade e foi atrás da feiticeira Valeska Torres de acordo com o endereço que Alice Brumas lhe deu.
Marcelo Corinus – Bom dia. Tem alguém aí?
Valeska Torres – Então você é o Padre vampiro, não é mesmo?
Marcelo Corinus – Por favor, ajude-me! Já faz mais de dez dias que convivo com isso! E-eu não sei até quando vou agüentar. A sede... é grande demais!
Valeska Torres – Fique calmo, padre. Já salvei inúmeras almas perdidas. Com você não será diferente.
Marcelo Corinus – Então você pode me fazer ficar bem, novamente? Pode fazer com que eu seja normal? Humano?
Valeska Torres – (sorrindo) Claro que sim, padre. Posso reverter a transformação e você voltará a ser quem era antes de virar um vampiro.
A feiticeira começa o processo de reversão. Ela fecha os olhos, conjura algumas palavras em russo até que é arremessada contra a parede por uma força desconhecida. Marcelo vai ao seu encontro e a ajuda a levantar-se.
Marcelo Corinus – O que houve? Você está bem?
Valeska Torres – (espantada) Shaitan!
Marcelo Corinus – Como...?
Valeska Torres – Você não é um vampiro comum! Você possui o toque dos Shaitan!
Marcelo Corinus – E o que isso significa?
Valeska Torres – Segundo a lenda, os demônios Shaitan possuem vampiros como seus “soldados de frente de batalha”. Esses vampiros são os guardiões do Shaitan quando os mesmos estão hibernando para “recarregar” seus poderes. Por isso são especiais. Os Shaitan fortificam seus vampiros. Todos são imunes à luz solar, estacas, água benta e outros apetrechos que destruiria qualquer vampiro normal. Além disso, alguns possuem poderes como voar, telecinésia ou absorção e redirecionamento de energia cinética. E o mais importante: são imunes à reversão de transformação! Não há como recuperar a alma de um vampiro dos Shaitan.
Marcelo Corinus – (com ódio nos olhos) Não! Tem que haver uma forma!
Valeska Torres – Eu lhe disse, Marcelo! Não há como! Você terá que conviver assim para sempre!
Marcelo Corinus – (mostrando as presas e com ódio) Não! Você vai me ajudar! (salivando) Ou então vai pagar caro pelo seu erro!
Valeska Torres – E-eu... Espere! Há meios de controlar isso. Vo-Você pode beber sangue de porco para saciar a sede! E... E tem uma terapia mística e remédios capazes de controlar o ódio que nasce em você e...
Marcelo Corinus – (gritando) Basta! Basta de ilusões! Basta de saídas temporárias! Estou farto disso! Eu não quero “controlar” isso! Não quero passar o resto de minha vida imortal tendo que ficar passando por terapia e vivendo de pílulas! Não posso ser incompleto! Ou eu sou totalmente humano, ou totalmente vampiro! (sorrindo) E já que você não me deu escolha, acho que terei que conviver com esse mal dentro de mim.
Valeska Torres – (assustada) Marcelo... espere...
Rapidamente, Marcelo morde Valeska Torres com suas presas, fazendo dela sua primeira vítima. Logo em seguida, ele a larga sem vida no chão.
Conde Wiron Van Kamp – (surgindo das sombras) Parabéns, Marcelo. Bem vindo ao meu mundo.
Marcelo Corinus – (limpando o sangue na boca) Murcegoso. A partir de hoje meu nome é Murcegoso.
Conde Wiron Van Kamp – (sorrindo) Ok, então! Preparado para seu treinamento, Murcegoso?
Marcelo Corinus – Treinamento pra quê?
Conde Wiron Van Kamp – (sorrindo) Para liderar meu exército de vampiros, meu caro. Afinal, você será o novo General do Clã Nosferatu. Uma guerra está se aproximando, Murcegoso. Temos que estar preparados.
Marcelo Corinus – (sorrindo) O que estamos esperando? Mostre-me onde é a Academia!
Na próxima edição: O tão esperado reencontro entre Murcegoso e a Irmã Alice Brumas! A Criação das Irmãs Rubras! O surgimento do Círculo de Sangue! É a conclusão de “Origens”!
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