quinta-feira, 26 de março de 2009

Legião X # 7 [A CORJA - 1 de 5]



O Passado Sempre Te Alcança


# Itália. 23 de julho de 2004. 09h02min

Numa pequena Igreja no interior da Itália, um velho padre ajoelha-se para rezar.

Padre Jean Carlo – Pai, perdoe-me. Peço perdão, pois sei que falhei em minha missão. Durante anos eu o protegi, mas agora receio que não há mais como protegê-lo. Agora que ele foi descoberto, é só questão de tempo para que os outros venham até aqui para levá-lo embora. O que farei, Pai? Oh, Pai! O que farei?

Lágrimas escorrem pelo rosto do velho padre, enquanto um outro padre aproxima-se dele. Ele toca seu ombro e o ajuda a levantar-se. O outro padre também aparenta uma certa tristeza nos olhos. Os dois deixam a Igreja e se dirigem a um jardim.

# Londres. Inglaterra. 23 de julho de 2004. 23h45min

Num velho galpão abandonado ocorre uma transação entre duas facções criminosas. De um lado estão três homens chefiados por John Cassie, representante da facção conhecida como Rosa Negra, e do outro lado estão três homens chefiados por Tony Visconsi, representante da facção conhecida como Hera. Cassie possue uma valise repleta de Euros. Ele a abre e mostra para Visconsi.

John Cassie – (fechando a valise) E onde está a mercadoria?

Tony Visconsi – Está no furgão.

John Cassie – Deixe-me conferir antes.

Os dois caminham em direção ao furgão, enquanto os seis capangas ficam para trás e vigiam uns aos outros. Visconsi abre a porta do furgão e mostra a mercadoria para Cassie. Ele avalia a mercadoria para ver se é verdadeira e sorri.

John Cassie – Pois bem, parece que está tudo nos conformes. Vamos iniciar a transação.

Subitamente, Visconsi é baleado. Seus capangas rapidamente sacam suas armas e miram para os capangas de Cassie. Os disparos continuam, mas nenhumas das duas facções são os responsáveis. De repente, um enorme rombo é feito numa das paredes e um homem alto, forte e com um sorriso sacana no rosto aparece quebrando tudo. Os capangas de ambas as facções começam a disparar tiros, mas eles ricocheteiam na pele do gigante. Mesmo baleado, Visconsi corre em direção ao furgão, mas uma bela e perigosa moça o alveja por trás e mira uma arma em sua cabeça. Visconsi olha para trás de relance e descobre quem é sua agressora.

Mystique – Se você se mover um centímetro, juro que estouro seus miolos, Visconsi!

De repente, no rombo aberto pelo gigante, surge um outro homem, de longos cabelos prateados, numa moto. Ele começa a disparar tiros contra os capangas e dirige-se até o furgão onde está a mercadoria em questão. Os capangas tentam impedi-lo, mas o gigante ergue a Ferrari de Cassie e a arremessa contra os inimigos.

Tony Visconsi – Não! Isso não lhes pertence!

Mystique – E nem há você, canalha! E não se mexa, pois você ainda está na minha mira! (gritando para o companheiro) Colossus, vamos logo com isso!

Colossus – Fica tranqüila, Mys! (descendo da moto e entrando dentro do furgão) Pronto, galera! Peguei a mercadoria! Vamos nessa!

Cain Marko – Beleza, Colossus! Eu já tava cansado de brincar com os Irmãos Metralhas! Vambora, Mys!

Tony Visconsi – (resmungando) Isso ainda não acabou, Mystique! Nós vamos recuperar a mercadoria!

Mystique – (sorrindo e dando um tiro na perna esquerda e outro na direita de Visconsi) A gente se vê, Visconsi! Diga ao seu chefe que A Corja mandou lembranças! (subindo na moto com Colossus e indo embora)

Colossus e Mystique vão embora na moto, enquanto Cain Marko corre em direção a um beco numa esquina onde um furgão está parado. Ele abre a porta e entra.

Cain Marko – Conseguimos, Manchinha! E em tempo recorde!

Mancha Solar – Beleza, Cain! Então vamos dar logo o fora daqui, pois esse lugar me dá arrepios!

Alguns minutos depois a dupla na moto se encontra com a dupla do furgão em seu esconderijo.

Cain Marko – Aê, Colossus! Mostra pra gente a mercadoria, cara!

Colossus – (descendo da moto e retirando uma pequena caixa de 10 cm do bolso da jaqueta) Tá aqui a caixinha. O que será que tem nela? A Mystique fez tanto suspense.

Mystique – (pegando a caixa) Nesta caixa, meus amigos, tem algo muito importante!

Colossus – Deixa de suspense, Anne! Abre logo isso aí e mostra pra gente!

Mystique abre a caixa e seus três parceiros fazem uma cara de espanto e de como se não estivesse entendendo nada.

Mancha Solar – Uma chave? Passamos por todo esse sufoco por causa de uma chave? Era pra isso que seu amigo nos contratou? Para recuperar uma chave roubada?

Cain Marko – E é a chave de que? Da caixa de Pandora, é?

Mystique – (sorrindo) Pode-se dizer que sim. Amanhã vamos para a Itália encontrar o meu amigo e ele nos explicará tudo. Por enquanto tratem de descansar, pois amanhã será um longo dia.

# Cinco horas depois...

O jovem Mancha Solar não consegue dormir, então dirige-se até o porão. Lá ele sente-se em casa. Em meio a todos os seus inventos e experiências, Mancha sente-se como uma criança numa loja de brinquedos. Ele tem apenas 20 anos, mas possui um intelecto avançadíssimo. Na infância ele desmontava todos os seus brinquedos e se divertia analisando as peças e componentes eletrônicos. Na adolescência, enquanto os rapazes de sua idade passavam a maior parte do tempo praticando esportes e paquerando garotas, ele se contentava em criar, construir e descobrir coisas novas. A ciência sempre fascinou o jovem Victor Cury. Aos quinze anos, Victor estava realizando estudos sobre os raios ultravioletas do Sol e a Camada de Ozônio, quando sofreu um acidente durante a experiência. O jovem saiu praticamente ileso, mas o acidente lhe causou uma pequena “seqüela”. Uma mancha negra surgiu na palma de sua mão direita. Os médicos estudaram e tentaram remover a mancha, mas descobriram que seria impossível. Dias depois, Victor sentiu a mão arder. Assustado, ele mesmo foi tentar estudar essa seqüela e descobriu que a mancha era quente e queimava qualquer coisa que tocasse. Ele tentou esconder isso dos outros, pois tinha receio de que tivessem medo dele. Porém, no colégio, Victor foi espancando por uns bad boys e acidentalmente queimou o rosto de um deles. Rapidamente a notícia se espalhou e Victor levou o apelido de Mancha Solar. Para evitar mais problemas e tentar levar uma vida normal, Victor (agora conhecido apenas como o Mancha Solar) criou uma espécie de luva sintética feita de moléculas instáveis. O tempo passou e a vida não foi boa para o jovem Mancha. Sua vida no colégio tornou-se um inferno e seus pais estavam cada vez mais irritados com seus inventos e experiências. Ninguém parecia compreender o jovem Mancha Solar. Entretanto, sua fama de inventor chamou a atenção de uma jovem espiã conhecida como Mystique. A moça e seus dois parceiros tinham acabado de abandonar a equipe conhecida como Legião X e estavam planejando começar vida nova, e para isso queriam que o jovem Mancha Solar os ajudasse, pois eles não possuíam nenhum tipo de alta tecnologia. No começo ele ficou relutante, mas depois resolveu segui-los. E foi assim que começou. Mancha Solar criou e inventou armamentos poderosos, turbinou carros e motos, e construiu comunicadores e sensores de alta tecnologia. Ele era o cérebro da equipe. Mancha encontrou na Corja o que nunca teve: amigos... e uma família. Cain Marko era como um irmão mais velho para ele. Sempre dando dicas de garotas e ensinando a beber. Ele pode parecer um grandalhão brutamontes, mas tem um coração de ouro. Colossus era seu melhor amigo. Sempre contando piadas e falando besteiras. Vive perturbando o juízo de Mancha. Às vezes é até irritante. Ele é alto, forte, belo e possui longos cabelos prateados. Todas as mulheres caem aos seus pés, e por isso ele se acha um “colosso”. Daí veio seu “nome de guerra”: Colossus. Seus braços podem se transformar em metal e podem tomar a forma que quiser. Pode ser uma lâmina afiada ou um machado. E a última é Mystique. A líder da equipe. Bela, astuta e estrategista. Foi uma das melhores espiãs da UCM, até que resolveu abandoná-los. É a única dos três que não possui poderes. Mas é uma mestra nos disfarces. Ela é tão boa em se infiltrar em locais perigosos e escapar sem ser notada que é melhor que muito transmorfo que tem por aí. A beleza de Mystique sempre atraiu Mancha Solar, mas ele nunca a disse nada sobre seus sentimentos a ela. Afinal, o que uma bela espiã de 26 anos iria querer com um jovem nerd de 20? Mancha Solar pensa nela todos os dias, e para tentar ocupar a mente e esquecê-la ele vai ao porão e trabalha no seu mais antigo projeto que nunca foi terminado. Ele o chama de Projeto Cyber. Mancha tenta criar uma espécie de andróide, mas não está sendo muito fácil. O protótipo Cyber 01 foi feito com o motor de uma torradeira. O Cyber 12 era um computador interativo que fazia cálculos matemáticos sozinhos. O Cyber 50 parecia um robozinho de brinquedo, mas já conseguia realizar algumas tarefas como consertar TVs quebradas.

Cain Marko – (chegando) Hey, Manchinha! Você não dorme não, é? Tu é vampiro? Dorme só de dia?

Mancha Solar – Oh! Oi, Cain! Eu tava aqui fazendo algumas modificações no Cyber.

Cain Marko – Você não desiste mesmo, né? Qual é a numeração dele agora? Cyber 234?

Mancha Solar – Não exagere! Esse é o Cyber 83. E se tudo der certo, acho que será o último!

Cain Marko – (bocejando e indo embora) Boa sorte, Manchinha! Eu vou é dormir! Até mais!

# São Paulo. UCM. 24 de julho de 2004. 08h45min

Israel está ao telefone. Polaris entra na sala e senta-se em uma poltrona. Israel desliga o telefone.

Polaris – Matt disse que você queria falar comigo, Israel. Sobre o que se trata?

Israel – Emma.

Polaris – (pausa) Alguma novidade sobre o estado mental dela?

Israel – Continua instável. Já faz um mês e ainda não conseguimos reparar sua mente por completo. Tudo o que temos são algumas peças, mas ainda faltam outras para completar o quebra-cabeças. Raziel disse que a encontrou em uma cidade da Argentina cerca de dois meses após sua “morte”. Ele disse que ela estava nua e desacordada e depois manifestou alguns lapsos de memória. O problema é que não sabemos onde ela esteve durante esses dois meses entre sua “morte” e o encontro com Raziel.

Polaris – E o que o Charles conseguiu descobrir?

Israel – Quase nada. A mente de Emma está totalmente fragmentada. Duas semanas atrás o Professor X conseguiu recuperar parte de uma lembrança do dia anterior à batalha contra os Peregrinos. Uma discussão que ela teve com seu marido, o Iceman.

Polaris – E quanto àquela marca em suas costas? Alguma novidade?

Israel – Esse é o ponto chave, Polaris. Acho que essa marca tem tudo haver com seu retorno da morte. Ontem à noite, Apo encontrou algo bastante... perturbador e revelador. (levantando-se de sua cadeira e pegando um velho livro em um cofre) Esse livro foi escrito há centenas de anos e relata histórias sobre uma irmandade de seres malignos que atormentaram a Europa na Idade Média. (abrindo o livro) Depois de muito terror, os espíritos desses demônios foram trancafiados numa arca e têm permanecido lá até hoje. A arca é protegida há séculos por uma irmandade de padres na Itália. Mas quero que você note uma coisa, Polaris. Veja essa imagem da arca. Polaris pega o livro e fica espantada com o que vê.

Polaris – Esse brasão na arca é igual à marca que está nas costas de Emma!

Israel – Exatamente, Polaris. É por isso que te chamei aqui. Quero que você reúna a Legião X e vá com eles até a Itália e descubra tudo o que for preciso sobre a arca e os demônios que estão trancafiados lá, bem como a relação de Emma com a arca. (pausa) A propósito, onde estão os Legionários?

# Apartamento de James Howlett. Dez quilômetros depois da sede da UCM

James e X-Boy ajudam o jovem Leo que está vomitando no banheiro.

James Howlett – Eu acho que não foi uma boa idéia levar ele com a gente ontem à noite.

X-Boy – Qualé, Jay! O garoto tem que se divertir e conhecer as gatas! Ele não tem irmãos, então é nosso papel iniciá-lo na night! Somos como os mentores do Leozinho. (segurando a cabeça dele) Vai, Leo. Bota tudo pra fora, cara! (voltando a falar com James) E a idéia foi tua de levar ele com a gente praquela boate!

James Howlett – Eu sei, mas não fui eu quem ofereceu três doses de bacardi para ele!

X-Boy – Detalhes, detalhes... Esquece isso. O que passou, passou. Agora vai lá embaixo comprar um café bem quente pro Leo, vai.

James Howlett – Hey! Por que eu?

X-Boy – Ué! Você não tá vendo que eu tô ocupado aqui! E outra: você tem algum café nessa espelunca que chama de apartamento? Com certeza não! Então vai lá na lanchonete e compra um café pra ele logo.

James Howlett – Unf! Só vou comprar porque é pro Leo! (saindo) E vê se da próxima vez não oferece nada alcoólico pra ele, viu?

# UCM. Departamento de Espionagem. 9h12min

Matt Murdock está sentado em sua cadeira lendo o jornal do dia, quando Gui Madrox entra na sala.

Matt Murdock – Oi, Gui. Chegou cedo hoje, hein? Pensei que você iria vir só no turno da tarde.

Gui Madrox – Pois é. Dormi pouco ontem à noite. Você sabe que quando tem algo me perturbando eu nunca descanso até que isso seja resolvido.

Matt Murdock – O que houve, Gui? Posso te ajudar?

Gui Madrox – Na verdade pode sim, Matt. Pois o que está tirando meu sono é você.

Matt Murdock – Como assim? Não entendi...

Gui Madrox – Desde quando você vem freqüentando boates de transmorfos, Matt?

Matt Murdock – (...)

Gui Madrox – Você acha isso certo, Matt? Eu sei que nos últimos meses você é um cliente assíduo da “Consuelo Bar”. E também sei que todas as transmorfas com quem você se envolve usam a aparência da Mystique. Você acha isso justo? Acha justo fazer isso com a Anna Raven, Matt?

Matt Murdock – Você estava me espionando???

Gui Madrox – Nada disso! Foi por acaso! Sexta-feira passada foi a despedida de solteiro de um amigo meu do Exército e fomos ao Consuelo Bar. Imagine só a minha surpresa ao ver você se agarrando com uma transmorfa com a cara da Mystique!

Matt Murdock – (levantando-se da cadeira e gritando) Você não tem o direito de se meter na minha vida!

Gui Madrox – Você é meu amigo, Matt! E Anna Raven também! Estou preocupado com você, Matt! Você está vivendo uma fantasia! Está obcecado por aquela mulher! Você tem que esquecê-la!

Matt Murdock – Não é tão fácil assim, Gui! Você não entende! Eu tentei esquecê-la! Tentei apagá-la de minha memória, mas não consegui!

Gui Madrox – Matt, olhe nos meus olhos e me diga a verdade: você ainda tem visto ou falado com a Mystique?

Matt Murdock – Não. Nunca! Confesso que nos primeiros meses eu tentei manter contato e fiz de tudo para encontrá-la. Mas depois ela sumiu, e tudo o que tive dela foram apenas notícias que eu ouvia por aí. Nada mais.

Gui Madrox – Matt, eu lhe peço, por favor, esqueça a Mystique. Tudo o que ela faz é destruir sua vida! Você tem a Anna Raven agora. Não jogue tudo para o alto e faça besteira. (saindo) Você pode se arrepender depois.

# Uma hora depois. Sala dos Legionários. UCM.

James Howlett, LeoSpidey, X-Boy, X-Girl e Witch-X estão reunidos e esperando a chegada de Polaris.

X-Girl – Pelo Amor de Deus! O que vocês fizeram com o Leo? Eu tô sentindo o bafo de álcool daqui!

X-Boy – Toma, essas pastilhas aí, Leo.

LeoSpidey – Ai. Minha cabeça ainda tá girando! Putz! Foi tudo muito louco! Eu só lembro que tava dançando no teto com uma garota.

James Howlett – (gargalha) Isso foi hilário, mesmo! A mina tava de saia! (gargalha)

Witch-X – Hey, por que vocês não chamaram a gente pra ir também?

X-Boy – Ah, Rafinha. Era uma noite só para os homens. Sacumé, pra ir à gandaia e tal...

James Howlett – Pois é, Rafa! Mas se você quiser, depois a gente marca uma saída noturna. Só eu e você. Que tal?

Witch-X – (aproximando os lábios bem perto dos lábios de James e sussurrando) Vai sonhando, “Jaiminho”.

X-Boy – (gargalha) Essa foi boa, Howlett! Que fora! (gargalha)

X-Girl – Mas é serio! A gente devia marcar pra sair todos juntos! Freqüentar os mesmos lugares.

James Howlett – Na boa, Liz. O lugar que freqüentamos não é pra você.

X-Boy – O Jay tem razão. Lá não serve pra você. Tem um monte de caras bêbados querendo se aproveitar das meninas inocentes e bonitinhas.

X-Girl – hum... Tipo, caras como vocês? Bêbados e machistas?

X-Boy – Exatamente! Lá tá cheio de “X-Boys” e “James Howetts” querendo se aproveitar das garotas! Não podemos deixar nossa pequena e inocente Liz ir nesse antro de perdição. Depois a gente marca um cinema e vamos todos juntos. Ou quem sabe um passeio pelo zoológico.

X-Girl – Pô! Quem vocês pensam que são? Meus irmãos mais velhos?

James Howlett – É isso mesmo! Assim como o Leo, você é nossa protegida! Temos que zelar pelo seu bem-estar e não podemos deixar nenhum gavião sobrevoar essa região!

X-Boy – É! Depois que aquele mané do Dado Dolabella quis te levar pra dar uma “voltinha” no carro dele... eu desconfio de todo mundo!

X-Girl – E a Witch-X? Por que vocês não a protegem também?

X-Boy – (gargalha) A gente é que tem que proteger os homens dela!

Witch-X – Isso é machismo! Pois na próxima sexta-feira eu e a Liz vamos para uma boate e vamos agitar! Se o Leo é o discípulo de vocês, então ela vai ser minha discípula!

James Howlett – Epa! Nada disso! Você é uma má influência pra Liz!

Witch-X – E vocês, por acaso, são uma boa influência pro Leo? Quem será que embebedou o menino?

X-Boy – Hey! Dá pra esquecer esse assunto?

Polaris – (entrando na sala) Ei, ei, ei! Que gritaria toda é essa?

LeoSpidey – Oi, Tia Polly! O tio Jimmy tava brigando com a tia Witch porque ela não queria dividir o lanche dela com ele. Bota ele de castigo, vai.

Polaris – Ai, Meu Deus! Pessoal, vamos falar sério agora! Iremos partir numa missão muito importante. Vamos até a Itália.

X-Girl – Puxa! Itália!

X-Boy – Legal! Dá pra divulgar meu novo CD por lá!

# Quinze minutos depois. Jato X.

X-Girl – Como é, Polaris? Não entendi direito. Quer dizer que a tal Emma Frost tem uma marca nas costas que é igual a um brasão que tá na arca que contém espíritos malignos?

Polaris – Exatamente, Liz. E isso deve ter alguma relação com a sua ressurreição.

James Howlett – Como ela morreu, Polaris? Todos sempre comentam sobre uma batalha contra os Peregrinos, mas ninguém nunca nos contou toda a história.

Polaris – (respira fundo) Bem, James. Tudo aconteceu meses atrás. A antiga Legião X era formada por Mystique, Colossus, Natureza, Cain Marko, Emma Frost e seu marido, o Iceman. Um grupo de mutantes malignos conhecidos como Os Peregrinos tinham roubado uma jóia mística chamada Krones, que concedia o conhecimento absoluto a quem a possuísse. Entretanto, para adquirir esse conhecimento, os Peregrinos teriam que realizar uma cerimônia de iniciação que tinha como objetivo sacrificar 6 crianças, 6 homens e 6 mulheres. A cerimônia aconteceria na Floresta Amazônica. Então, eu, Israel, Murdock, Professor X, Madrox, Apo e a Legião X fomos até lá com o objetivo de detê-los. Os Peregrinos iniciaram a cerimônia e não conseguimos chegar a tempo para impedir o sacrifício dos 18 inocentes, mas enfrentamos os Peregrinos e os destruímos. Entretanto, a jóia Krones estava transbordando poder devido à cerimônia. Para conter esse poder, Emma usou seus poderes telepáticos e acabou recebendo o conhecimento absoluto. Porém, o poder era tão intenso que sobrecarregou a mente de Emma, tornando-a perigosa e instável. Ela descontrolou-se e nos atacou. Nós tentamos contê-la, mas foi tudo em vão. Emma estava insana! Então usamos todas as nossas forças para derrotá-la e trazê-la de volta à razão. Essa foi a batalha mais dramática que já enfrentamos. Estávamos lutando contra uma de nós. Ela era nossa amiga! Ela sabia nossos movimentos, sabia o que faríamos e sabia até onde iríamos. Foi assim que começamos a sermos derrotados. Natureza foi a primeira a tombar. Emma a assassinou bem na minha frente. (os olhos de Polaris enchem-se de lágrimas). Depois foi a vez do Professor X. Emma arremessou uma lança na coluna de Charles, deixando-o paralítico. Estávamos perdendo, e se as coisas continuassem daquele jeito estaríamos todos mortos. Mas Mystique ainda tinha esperanças. Ela acreditava que conseguiria trazer Emma de volta à razão. Mas Israel não quis saber! Não havia mais nenhuma alternativa. Emma estava insana e matando a todos que se aproximavam dela. Tentamos detê-la mais uma vez, só que ela era mais forte e nos atingiu com uma descarga telepática. Depois fugiu para Manaus e causou a maior destruição por lá. Inúmeros inocentes pereceram perante a mente perturbada de Emma Frost. Então Israel tomou uma decisão radical e ordenou que ela fosse detida a qualquer custo. Se fosse necessário matá-la, então devíamos matá-la. Essa era a ordem. Mystique, Colossus e Cain foram contra e disseram que não o fariam de forma alguma, desobedecendo à ordem de Israel. Mystique sempre batia de frente com o Israel. Os dois nunca chegavam a um acordo. Iceman, o marido de Emma, se viu num beco sem saída. Ele amava a esposa e faria de tudo para encontrar um outro meio, mas o tempo estava acabando e nós tínhamos que fazer algo logo. Iceman era um grande herói, sempre pensando no bem-estar dos outros e fazendo o possível e impossível para proteger a população. E por mais que amasse Emma, ele sabia que não tinha como pará-la. O único meio seria a morte. E foi o que aconteceu. Nós unimos nossas forças e a destruímos. Mystique e os outros tentaram impedir, mas o Professor X os impediu telepaticamente. Emma foi incinerada, restando apenas cinzas. Após essa batalha, Iceman desapareceu sem se despedir de ninguém. Ele se isolou e ninguém nunca mais teve notícias dele. Mystique revoltou-se com a morte da amiga e quis se vingar de Israel. Ela chegou, inclusive, a quase matá-lo. Sendo assim, Israel a expulsou da UCM, e Cain e Colossus a seguiram, desfazendo a Legião X. (pausa) E agora Emma está de volta, como um fantasma que assombra nossas vidas. O passado nos alcançou. Ele sempre nos alcança.

X-Girl – Credo! Como será que ela sobreviveu? O corpo dela não tinha virado cinzas?

Polaris – É isso que iremos tentar descobrir, X-Girl. Essa tal arca deve ter alguma coisa haver com a ressurreição de Emma. Temos que saber o que aconteceu com ela e quão perigosa ela está, pois, segundo Apo, a tal arca tem origens malignas...

X-Boy – Eitha! Depois de termos enfrentado terroristas colombianos, seres alterados geneticamente e bombas genéticas, vamos agora lutar contra fantasmas?

Polaris – Espero que não, X-Boy. A arca não precisa, e nem deve, ser aberta! De forma alguma! (pausa) Agora tratem de descansar. Dentro de alguns instantes estaremos na Itália.

# Roma. Itália. 11h22min

O furgão pára em frente a uma enorme mansão. Mystique é a primeira a descer. Ela dá alguns passos até que fica diante a porta e bate três vezes. Uma simpática senhora abre a porta e abraça Mystique.

Sra Adler – Oh, Anne! Há quanto tempo não a vejo, minha criança! Como estás?

Mystique – (sorrindo) Estou bem, Sra Adler! Desculpe não ter vindo antes, mas tenho estado muito ocupada! (virando-se) Esses são meus amigos Cain, Victor e Peter.

Sra Adler – (abraçando os três rapazes) Oh, muito prazer, crianças! Por favor, entrem! Fiquem a vontade! A casa é sua!

Mystique – (entrando e com os olhos cheios de lágrimas) Puxa! Faz um tempão que eu vim aqui pela última vez. Já estava com saudades!

Sra Adler – Espero que você passe mais tempo dessa vez, Anne! Todos sentimos muito sua falta! (saindo) Sentem-se aí, crianças! Irei chamar o Sr Vicent.

Cain Marko – Anne, que lugar é esse?

Mystique – Foi aqui onde morei grande parte de minha vida, Cain.

Mancha Solar – Puxa! Sua vida foi boa, hein? Essa mansão parece ser de gente bem rica!

Mystique – Isso era um orfanato, Victor. Eu vivi aqui até meus quinze anos.

Mancha Solar – Puxa... Eu... Eu não sabia que você era órfã, Mystique. Desculpa...

Mystique – Não precisa se desculpar, Mancha. Já superei isso há muito tempo.

Mancha Solar – E... tipo, você nunca tentou encontrar seus pais? Descobrir de onde é?

Mystique – Lógico. Por que você acha que me tornei a melhor espiã do mundo? (pausa) Ironicamente, esse foi o único caso que eu nunca consegui desvendar.

Sr Vicent – (chegando) Anne, minha jovem! Como você cresceu!

Mystique – (abraçando o velho) Vicent, há quanto tempo!

Sr Vicent – Ouvi histórias suas, Anne! “A espiã Mystique”! Você criou uma grande carreira, minha filha!

Mystique – Obrigada, Vicent. (pausa) Estes são meus amigos Cain, Victor e Peter. Trabalham comigo na Corja. Foram eles que ajudaram a recuperar a chave.

Sr Vicent – Oh! Obrigado, rapazes! Acho que vocês devem estar bastante curiosos sobre a história dessa chave, não é mesmo?

Colossus – Bom, seu eu disser “não”, eu estou mentindo.

Sr Vicent – Tudo bem! Essa chave abre uma arca que contém páginas perdidas da Bíblia. Essa chave estava sob a vigilância de uma ordem religiosa na Espanha, mas foi roubada meses atrás e durante todo esse tempo muita gente tentou recuperá-la. Gente boa e gente ruim. Um amigo meu me pediu ajuda para tentar tirar a chave de mãos inimigas, e por isso contatei você e seus amigos, Anne. Prometo que irei recompensá-los a altura!

Mystique – Ora, Vicent! Isso foi apenas um favor para um velho amigo.

Colossus – (cochichando para Cain) Hey! Que nada! Eu quero a grana!

Cain Marko – Psiu! Cala a boca, Pete.

Sr Vicent – Mas antes quero lhe pedir um último favor, Anne. Será que você e seus amigos poderiam nos dar uma carona até o interior da Itália, para encontramos meu velho amigo? Tenho que lhe entregar essa chave o quanto antes!

Mystique – É lógico, Vicent! Quer ir agora?

Sr Vicent – Oh, não! Agora não! Descanse um pouco! E acho que você e seus amigos devem estar famintos! Vamos até a cozinha. A Sra Adler pode preparar alguma coisa para vocês.

# Alguns quilômetros dali...

Polaris e os Legionários aterrissam o Jato X na base aérea da divisão européia da UCM. Dois agentes vão até eles.

Agente 51 – Olá, vocês devem ser os Legionários! Sou Paula, a Agente 51, e esse é Thiago, o Agente 777. Estamos aqui para ajudá-los.

Polaris – Olá, Agente 51! Sou Polaris, a Superintendente de Defesa da UCM brasileira.

Agente 51 – É um grande prazer conhecê-la, Srta Polaris. Acompanhem-me, por favor. O Sr Gambit espera por vocês. Os seis seguem os Agentes 51 e 777 e entram no prédio da UCM Européia. Ele é bastante semelhante à sede da UCM, no Brasil. Existe um departamento para questões místicas, para questões alienígenas, defesa e segurança... Cada qual chefiado por um profissional gabaritado. A UCM Européia existe há cinco anos e foi desenvolvida por Gambit, um antigo parceiro de Israel na UCM brasileira. O Agente 777 abre a porta da sala de reuniões, e Gambit já se encontra lá, apenas esperando os visitantes.

Gambit – (levantando-se) Polaris, há quanto tempo! Você devia visitar a Europa mais vezes!

Polaris – (abraçando o velho amigo) Meu tempo está bastante corrido, Gambit! E atualmente estou na missão mais difícil de minha vida: planejar meu casamento!

Gambit – (gargalha) Como o tempo passa rápido! Ainda ontem você e o Gui eram dois adolescentes apaixonados, e agora já estão planejando uma vida a dois! (pausa) Mas, infelizmente, esse não foi o assunto que a trouxe aqui, não é?

Polaris – Infelizmente não, Gambit. Como o Israel lhe disse por telefone, Emma Frost ressurgiu de uma forma inexplicável e a única pista que temos é uma estranha marca em suas costas. Apo investigou e descobriu que a marca é idêntica a um brasão existente numa arca que contém espíritos malignos.

Gambit – Bem, Polaris. Shadowcat, nossa diretora em questões místicas, investigou sobre isso e encontrou a localização da arca. Ela está numa igreja em uma pequena cidade próxima daqui. A chave que abre essa arca estava numa outra igreja, da mesma ordem religiosa, na Espanha, mas ela foi roubada meses atrás. O curioso é que isso aconteceu exatamente na mesma época em que Raziel Gualatamo encontrou Emma Frost. E isso não é tudo. Várias facções criminosas estavam negociando entre si a posse da chave, e o comprador era Don Claudes, um magnata inglês que comanda a organização chamada Rosa Negra. Segundo meus informantes, Claudes enviou seu capanga John Cassie para uma transação com a facção criminosa conhecida como Hera, que detinha a chave. Mas a transação deu errado, pois a chave foi roubada por um terceiro grupo.

Polaris – E vocês descobriram de quem se tratava?

Gambit – (respira fundo) Eram três pessoas. Dois homens e uma mulher. As descrições conferem no nosso banco de dados como sendo Mystique, Colossus e Cain Marko.

Polaris – A Corja? Mas por que eles iriam querer a chave?

Gambit – Talvez eles estejam trabalhando para alguma outra facção...

Polaris – Não! Não pode ser! Eles não são criminosos. Talvez eles tenham recuperado a chave para devolvê-la ao seu dono.

Gambit – Não tenho certeza de nada! Só sei que eles estão com a chave, e, nesse momento, temos que recuperá-la a qualquer custo. Polaris, a UCM Européia lhe fornecerá tudo o que for necessário. Soldados, equipamentos, armamento... O que for preciso. Os Agentes 51 e 777 vão acompanhá-los até a Igreja onde a arca está. As informações que temos sobre a arca e os espíritos que estão nela são bastante limitadas. É como se todos os registros sobre ela tivessem sido apagados. Bom, talvez os padres da tal Ordem Religiosa possam nos ajudar.

Polaris – Isso está ficando cada vez mais complicado! A ressurreição de Emma, uma arca com espíritos malignos e o reaparecimento de Mystique e dos outros. Como isso tudo pode estar interligado?

Gambit – É o que estamos tentando descobrir, Polaris. Espero que vocês tenham mais sorte do que a gente.

# Orfanato do Sr Vicent.


A Corja está se preparando para sair, quando a Sra Adler sobe ao primeiro andar para arrumar algumas coisas em sua bolsa. O Sr Vicent vai atrás dela e pede aos visitantes esperarem um pouco.

Sra Adler – Você acha que eles acreditaram?

Sr Vicent – (falando com uma voz grossa e tenebrosa) Com certeza! Esses tolos serão muito úteis para conseguirmos a arca!

Sra Adler – (falando com uma voz grossa e tenebrosa) Eu sabia que possuir esses corpos seria vantajoso para nós! Logo conseguiremos ser livres e libertar nossos irmãos! E depois, quando estivermos todos reunidos novamente, iremos atrás do Sétimo!

Sr Vicent – (falando com uma voz grossa e tenebrosa) E os demônios caminharão entre os mortais novamente! (gargalha)

Subitamente, a Sra Adler sente um arrepio e uma dor na nuca.

Sra Adler – (falando com uma voz grossa e tenebrosa) O defensor! Ele está aqui! Eu posso sentir!

Sr Vicent – (manifestando ódio) Afaste-se, anjo! Não poderás intervir! Estamos no plano material agora! Mandamos aqui!

De repente, uma luz incandescente ilumina o quarto. Mas é uma luz vista apenas pelos dois demônios que possuem o corpo dos humanos. Uma criatura bela, com uma pele dourada e portando uma poderosa espada surge diante deles.

Mag’Xorn – Não, Hakan! Não permitirei que liberte os seis! Farei o que tiver ao meu alcance para detê-los.

Sra Adler – (rosnando) Tu não podes nada, tolo! Tu vives de fé e preces! Não podes possuir corpos humanos, pois isso quebraria todas as regras!

Sr Vicent – (dando uma macabra gargalhada) Desta vez iremos vencer, anjo! E nem você, nem nenhuma ordem religiosa poderá nos deter!

Os dois demônios saem do quarto e descem as escadas, indo se encontrar com a Corja, enquanto Mag’Xorn permanece imóvel no quarto, invisível aos olhos humanos. O anjo pára e reflete. Hakan e Horeu assassinaram dois inocentes e se apossaram de seus corpos. Tudo para libertar os seis espíritos malignos que estão trancafiados na arca. E se eles forem libertados, então tudo estará perdido! Mag’Xorn não pode permitir que isso aconteça! Ele tem que fazer algo. Mas como? Hakan e Horeu estão no plano físico agora. Como Mag’Xorn poderá intervir? Ele está no plano astral e não tem permissão para possuir corpos humanos. Será que a possessão de um corpo humano é justificada pela atual situação? Será que vale a pena quebrar uma regra em prol de um bem maior?

Na próxima edição: A Corja encontra a Legião X!

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